O remo sempre foi uma grande tradição no Botafogo, que agora conta com um dos maiores atletas do país: Denis Marinho, o Hulk. O remador é um exemplo de amor ao esporte e perseverança na luta pela superação dos obstáculos. Um reforço que rema para o sucesso.

Um grupo de remadores corria semanalmente na Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista. Normalmente o mais alto deles, que atendia pelo nome de Dênis, ficava sempre para trás. Era difícil carregar o fardo de 1,94m de altura. Irritado, começou a pretender assustar os companheiros com gritos estridentes — para alguns aterrorizadores. Quase na mesma ocasião a Rede Globo de Televisão lançava o seriado Hulk. Pronto. Foi o que bastou para Dênis Marinho deixar a identidade real para ser apenas Hulk, um personagem intimamente ligado ás vitórias. E não teve jeito dos companheiros desistirem do apelido. Quanto mais Dênis se aborrecia, mais o Hulk ficava. E ele foi se acostumando com a ideia. Hoje em dia, nem liga mais. Só que isso lhe causou algumas situações curiosas. É comum ser apresentado peio apelido. Poucos se lembram de seu nome de batismo (Dênis Antonio Marinho). Além disso, houve ocasiões em que até chefes de empresas o trataram como num tratamento em certas oportunidades constrangedor. — Acho divertido este apelido — adianta Dênis. As vezes,pode até ser um pouco chato, mas em geral acabo me saindo bem. É algo até gratificante. Em família, porém, ele é apenas Dênis. Hulk fica para os amigos e colegas. Afinal, o apelido pegou mesmo. E transportou fronteiras até clubísticas. Nem ao trocar o Flamengo pelo Botafogo, a alcunha o abandonou.
A escolha certa do esporte
O jovem Dênis Marinho cursava o segundo grau quando resolveu aceitar a sugestão do amigo Ricardo Guaraná. Aos 16 anos, fazia a iniciação no esporte que hoje é uma das maiores esperanças brasileiras: o remo. Só que daquele garoto desprentencioso e que começou no quatro com, pouco resta. Hoje em dia, brilha no skiff, competindo pelo Botafogo, que novamente orgulha-se de ter o regatas no nome do clube que tantas conquistas em diversos esportes — sobretudo no futebol — é conhecido como Glorioso. Hulk começou no remo em 1979. Ele percorreu a trajetória de todos os remadores que atingiram a glória. O início foi no tanque. Sem qualquer noção do esporte, passou a ser burilado pelo técnico Celso, no Flamengo. Em pouco tempo já integrava a equipe de quatro com, na categoria estreante. E, se nas quatro primeiras provas chegou em segundo lugar, a partir da quinta só conheceu triunfos. Só que a identidade de Hulk com as vitórias se tornaria mais estreita a partir de 1985, quando trocou o quatro com pelo skiff. Logo na primeira temporada conquistou o campeonato brasileiro. Pouco tempo depois, partia para o bicampeonato da Fita Azul, uma das mais importantes provas brasileiras, realizada em São Paulo. Depois, conquistou quase todos os títulos possíveis. Foi tetra campeão sul-americano, pentacampeão brasileiro e nove vezes campeão carioca. Além disso, foi vice-campeão pan-americano em 1983, em Caracas, na Venezuela, e em 1987 em Indianápolis, nos Estados Unidos.
Acidente ameaça carreira
Um amor pela velocidade quase termina prematuramente a carreira de Dênis Marinho. Próximo ao Mourisco, em Botafogo, a moto que guiava derrapou. Hulk sofreu três profundos cortes, dois deles no joelho esquerdo. Foram dois meses e meio de recuperação, período em que conviveu com a incerteza da volta. Mas, perseverante, acabou vencendo o trauma e a adversidade. Voltou fortalecido, capacitado para ascender e conquistar os mais importantes campeonatos da carreira. Tudo aconteceu em 1985. O ano foi difícil para Hulk. Difícil só no primeiro semestre. A volta também acarretou muito esforço. Os companheiros do quatro com estavam num estágio superior de preparação. Não havia condições de Dênis tentar acompanhá-los. Além do mais, outro remador tinha sido escolhido para substituí-lo no período em que se recuperava.
Sem alternativa, ele começou a preparar a volta na base da força interior. Sem um companheiro para treinar, trocou de barco. Passou a ser remador de skiff, guarnição que já admirava. A opção não poderia ter sido melhor. Só que foi preciso vencer a solidão na Lagoa Rodrigo de Freitas. Muitas vezes, nas madrugadas frias, carregava o barco e remava nas águas escuras em busca do aprimoramento. Nada importava, só a plena recuperação. E, com esta filosofia, Hulk superou, um a um, todos os obstáculos, até que, finalmente, voltou em grande estilo. Naquele mesmo ano sagrou-se campeão brasileiro e ganhava a ambicionada Fita Azul, mais importante prova do remo, realizada em São Paulo. No ano seguinte, repetiria a dose, comprovando a total recuperação. Estava consumada a vitória da obstinação deste gigante.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Jornal Folha do Esporte de 13 de março de 1992
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NA BUSCA POR NOVOS ESPAÇOS NOS PÓDIOS DO MUNDO
O Esporte Amador está em fase de reestruturação no BOTAFOGO. Os dirigentes buscam compatibilizar o gerenciamento desta área à nova filosofia do Clube.
Buscando permanentemente aprimorar a performance dos atletas botafoguensxes, rompendo limites, superando dificuldades, apurando a técnica, firma-se no BOTAFOGO a consciência de que antes de cada vitória, há muito treino e, antes de cada treino, há um grande ideal, constituído na fé e na paixão pela estrela gloriosa, que ilumina o coração do atleta alvi-negro.
DIVERSIFICANDO SOLUÇÕES RUMOS AS CONQUISTAS
A superação dos desafios enfrentados pelo homem ao longo de sua vida advém exatamente da consciência de que problemas existem para serem resolvidos. Imbuídos desta visão de mundo, o Vice-Presidente de Remo do BOTAFOGO, João Pedro de Andrade Figueira, tem imprimido um ritmo forte nabusca de soluções para os desafios que se impõem a sua gestão.
Isto já está fornecendo frutos para o Clube. A guarnição 4-junior do BOTAFOGO vai representar o Rio de Janeiro na categoria Peso Leve do Campeonato Brasileiro, no mperíodo de 8 a 10 de julho nesta idade. Isto foi o resultado direto da conquista do Clube ao derrotar a guarnição do Vasco da Gama.
No dia 26 de junho passado, ao vencer as equipes do Flamengo e do C.R. Martinelli, o BOTAFOGO conquistou tambem o direito de representar o Brasil no Campeonato Mundial de Juniores, na Alemanha, entre os dias 3 e 7 de agosto deste anao.
NEGOCIAÇÃO
Ex-remador do Clube, João Pedro conhece, como ninguém, todas as dificuldades alvinegras. Mas apresente diversos projetos, "em vias de negociação", que irão trazer soluções e visam o pleno desenvolvimento do Esporte no BOTAFOGO.
"A estrutura que encontramos aqui data de vinte anos", diz João Pedro. Segundo ele, há uma preocupação em dotar o Clube de toda uma infraestutura que permita ao Remo do BOTAFOGO alcançar grandes vitórias no Campeonato Carioca desta categoria esportiva.
"Temos agora um barco de fibra de carbono vindo da Argentina que elevará o potencial dos atletas do BOTAFOGO", revela o Vice de Remo. Este é um equipamento usado pelos atletas de todo o mundo nas competições olímpicas. "Foi uma doação muito importante feita pelo Dr. Guilherme Arinos e, sendo um QUATRO SEM que pode ser convertido para skiff, traz muitas possibidades de uso em outras competições", diz João Pedro.
Além desse equipamento, o Remo do BOTAFOGO vai realizar uma espécie de permuta com a academia de ginástica Corpore. Segundo o Vice, isto permitirá ao Clube construir na área do Sacopã, na Lagoa Rodrigo de Freitas (RJ), um centro de musculação. " Vamos montar uma estrutura de primeiro mundo em termos de treinamento para os nossos atletas", comenta João Pedro. A idéia é fazer o centro funcionar como uma academia de ginástica para os sócios e para a população, tornandose um pólo de arrecadação muito forte.
Para João Pedro, o atual estágio de BOTAFOGO no Remo é de franca ascensão. Segundo a sua visão, os principais clubes nesta categoria esportiva perderam seu referencial e vem decaindo na qualidadede seus treinamentos, o que reflete nos resultados alcançados. "Estamos em vias de quebrar uma hegemonia que não pode durar muito. Já vencemos o Flamengo no OITO, categoria que este clube dominava há anos", conta. Segundo ele, esse é um dos sinais que revela "o grande momento do BOTAFOGO no Remo"
"Vamos fornecer aos nossos atletas todo apoio que eles necessitam para provar o valor deles e do BOTAFOGO", acrescenta. Este apoio vem em dois sentidos. O primeiro no plano do Clube e da estrutura que estamos construindo. Outro plano está ligado ao lado político, dentro da Federação de Remo do Estado do Rio de Janeiro.
"A hegemonia a que me refiro e constituída em vários níveis. O lado político nestas relações não pode ser relegado e exige uma atenção constante conta João Pedro. Ele revela que, numa competição recente, o barco do BOTAFOGO foi fechado por outras embarcações. Segundo o dirigente, o certo seria o juíz intervir na situação e mandar os barcos voltarem para as respectivas raias, o que não ocorreu.
"Não posso ficar quieto ao ver meu Clube e os atletas, que tanto treinaram para ter esta oportunidade, perderem o entusiasmo pelo esporte por questões fora do Remo", protesta João Pedro.
O Vice de Remo do BOTAFOGO mostra que vestir a camisa alvi-negra é urna honra destinada a poucos. "Sei que um atleta luta muito. Treino às 4h da manhã, muito tempo e trabalho para superar limites e uma disciplina constante no apuro da técnica. Por isso temos que trabalhar muito para também honrar essa dedicação".
“Todas as nossas conquistas não passam de uma ponta de iceberg perto do que teremos no futuro", afirma, entusiasmado, o Dr. João Pedro, um apaixonado pelo Esporte.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 245 de 1994
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UMA TRAJETORIA SECULAR

Em 1891, começa a história do BOTAFOGO no remo. Sob o comando de Luiz Caldas, organizou-se o “Grupo de Regatas BOTAFOGO" com alguns rapazes egressos do Clube Guanabarense (primeira associação náutica carioca, fundada em 1874). Com o advento da revolta da Marinha, o Grupo, recém-organizado, ficou sob suSpeita para o Governo. Dois sócios, João Carlos de Melo (John) e Frederico Lorena (Fritz), amicíssimos de Luiz Caldas, eram filhos, respectivamente, dos revolucionários Almirante Custódio de Melo e Comandante
Guilherme Frederico de Lorena, este chefe da Revolução. Em consequência, houve um período em que o BOTAFOGO foi forçado a paralisar suas atividades; John e Fritz ocultaram-se, saindo do Rio de Janeiro; Caldas foi preso e morreu pouco depois, como também veio a falecer, pela mesma ocasião, Mário Le Blon, outro grande botafoguense.
Morrendo Luiz Caldas a 25 de junho de 1894, reuniram-se os sócios do Grupo de Regatas BOTAFOGO para regulamentar o clube. Assim, fundava-se, a 19 de julho de 1894, o Club de Regatas BOTAFOGO, com 40 sócios José Maria Dias Braga foi o 1O Presidente.
A bandeira branca com o retângulo negro no canto superior direito trazia a gloriosa estrela solitária, que já conduz o BOTAFOGO há mais de um século, sem jamais deixá-lo se afastar do espírito associativo que o formou, tampouco se desviar das normas de lealdade e elegância, distinção e urbanidade, que foram traçadas pelos seus fundadores, para a sua gloriosa destinação.
TITULOS DA TEMPORADA DE 1994
· Campeão carioca da Categoria Infantil
Atletas: Luiz Felipe B. Magalhães; Rodrigo Maier; Renata Stallone Palmeiro; Maria Cecilia R. Santos Corrêa
· Campeão Carioca na Categoria Infanto Juvenil
Atletas: José Ricardo de Souza Mota; David Rodrigues Pinto; Otto Luiz Guimarães Ewald; José Carlos Gonçalves Sobral Junior; Alexandre Soares de Mendonça Clark.
· Vice-Campeão do Rio de Janeiro Geral
Destacando duas vitórias no 8+ Juniores (1a e 5a ) Regatas] Vitória 2+ Estreantes (6a Regata) Vitória 2 - Peso Leve (73 Regata) Vitória 2+ infanto Juvenil (8a ) Regata)
· Campeão Brasileiro Peso leve 4 Sem (4-) Rio de
Janeiro Com este resultado o BOTAFOGO se classificou para representar o Brasil no Campeonato Sul-americano de Peso Leve no Chile.
· 12o Lugar no Campeonato Mundial de Juniores Munique, Alemanha.
Atletas: Luíz André Bastos C. Maia*; André Luíz de Sousa Mota; Rogério Ney Stallone Palmeiro; Pedro Almeida França.
(*) Atualmente, teve de sair equipe (por idade), sendo substituído por José Ricardo do Sousa Mota.
· Campeão da Regata da Escola Naval, decidindo a prova no 8 Com (8+), sagrando-se vencedor e Campeão da Regata da Escola Naval pela primeira vez na história do Clube.
· Campeão Brasileiro de Seniores em Florianópolis, obtendo o 2o lugar no Quatro Com (4+) e 1o lugar no Oito Com (8+).
· Campeão Brasileiro da Copa Nacional de Skiff Senior B, com o atleta Alex Pais Zennaro.
No ano passado, o Dr. Guilherme Arinos doou ao BOTAFOGO um barco 4 SEM, de fibra de carbono, marca Tigre, argentina. Com esta embarcação, o BOTAFOGO sagrou-se Campeão Brasileiro Peso Leve e se tornou imbatível no 4 SEM.
Quando foram a Munique, levaram a nova doação do Dr. Arinos, dinheiro suficiente para comprar um barco 8 COM, novinho. Entretanto, após pesquisar um pouco e pedir licença ao doador, conseguiram comprar quatro barcos seminovos: um 8 COM, um 2 SEM, um skife e um 4 SEM.
O Remo do BOTAFOGO agradece a importante contribuição do Dr. Arinos, dedicando-lhe todas as suas vitórias.
Programação:
22 JAN - Regata Internacional, com a participação de Cuba, Argentina e Chile.
29/30/31 JAN - Eliminatórias para os Jogos Panamericanos 2 SEM Peso Leve, Rogério Ney e Pedro França
02 FEV - Missa à Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira dp remo do BOTAFOGO.
MARÇO - Jogos Panamericanos na Argentina, em Mar del Plata.
Dia 26 - Primeira Regata do Campeonato Estadual.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 246 de jan/fev/mar de 1995Nota Pessoal: Tive oportunidade de trabalhar lado a lado tanto com o Marcão como com o Beethoven. Sempre tivemos um ótimo relacionamento pessoal e profissional.
Angelo Antonio Seraphini
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“Salve! Glorioso 4 de junho de 1899...Fazem hoje 10 anos!! Lembraste? Amanhecera um domingo de chuva, frio e de sudoeste.
Parecia mais um dia de luto, que um dia de glórias...
Vimos correr sem interesse todos os páreos anteriores e apesar da chuva miúda que caía, as arquibancadas estavam cheias de moças que, na sua maioria, pulsava os corações pela nossa vitória...
Ouve-se um tiro, é o momento, vão para a saída. Custam a alinhar-se por causa do mar...
Alguém grita junto de mim: Saíram? Olho, nada vejo; continua a chuva miúda... Parece que tenho em cada fonte um martelo que bate e sinto na garganta alguma coisa que me aperta.
Espero... depois peço um binóculo, olho, desilusão completa, ela vinha em último lugar...
Então senti sobre mim todo o peso da minha responsabilidade, todo o remorso do meu crime, eu que a deixei-a correr pela última vez, ela, coitada, coberta de glórias, vencedora nunca vencida, e que sabia que outras suas competidoras eram mais novas e, por isso, melhores!
Olho em torno de mim, parecia que todos me acusavam; uma nuvem escura se me passou pelos olhos, havia um grande silêncio na arquibancada e eu ia aproveitar para fugir, corrido de vergonha...
Antes de fugir, quero vê-la ainda uma vez, e para ela, a querida, dirijo meu olhar.
Mudara o cenário: a chuva tinha passado e aparecia um tênue raio de sol que vinha só para coroar com seus beijos dourados, a página mais brilhante da história do Sport Náutico Brasileiro...
Ela avança garbosa, fina, que paracia uma grande ave marinha, que cada vez que feria o mar com suas quatro asas de madeira, deixava para tráz uma das suas altivas adversárias.
Um voz gritou: "Diva" e logo mil a seguiam: "Dival Diva!Diva!"
Ela transpunha mais uma vez vitoriosa a linha de balizas... Duas grossas lágrimas se arrebentaram dos meus olhos e enquanto centenas de mãos procuravam as minhas para felicitarem, enquanto senhoras acenavam com os lenços e atiravam para o mar, flores, a banda de música começava dolentemente a valsa que tinha o nome dela, a querida.
E lá se foram dez anos, estamos ficando velhos, meu Castro. Recebe para ti e para os outros companheiros um apertado abraço do Gastão. 4-6-1909".
Carta do botafoguense Gastão Cardoso ao amigo benemérito Antonio Mendes de Oliveira Castro, uma evocação a legendáría Diva, a invicta, a mais famosa embarcação carioca, canoa de quatro remos, que venceu todas as 22 provas de que participou. A fama e a tradição deixadas por ela e suas tripulações são relíquias botafoguenses.
A última regata disputada por Diva foi em julho de 1899, quando ganhou o Campeonato Carioca, tendo a seguinte tripulação: Patrão - Paulo Ernesto Azevedo; Voga - Armando Leite Basto; Seta-Voga - Francisco do Rego Macedo; Sota-Prôa - Antonio Mendes de Oliveira Castro Filho; Prõa - Carlos de Souza Freire.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 246 de jan/fev/mar de 1995-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.- REMO: Revelações e Eficiência
A equipe do Remo do BOTAFOGO, no dia 7 de outubro, disputou a última regata do Campeonato Estadual de Remo, na Lagoa Rodrigo de Freitas, conquistando os seguintes títulos: Campeão de Estreantes, Campeão Infantil, Campeão Infanto-Juvenil e Campeão Júnior, além de haver conquistado o Troféu Eficiência.
Estes resultados vêm premiar todo um trabalho excepcional do BOTAFOGO nesse esporte, que, certamente, será aprimorado para 1996.
Desde que os oito barcos de fibra foram cedidos pelo Grande Benemérito Guilherme Arinos (cinco alemães da marca Embacher e três argentinos da marca Tigre, considerados entre os melhores do mundo), o BOTAFOGO voltou a ser uma das equipes mais competitivas do Remo carioca, vencendo algumas das provas com relativa facilidade.
O importante é que o resultado acabou por coroar, ainda que parcialmente, a grande reviravolta que houve no nosso Remo. Reviravolta esta que se iniciou com a doação dos barcos e se completou com a vinda dos cubanos Leonidas Same e Orlando Cabrera, considerados como os melhores remadores do mundo na categoria double-skiff; e do técnico, também cubano, Alcides Risco, um dos maiores formadores de talentos da atualidade. Para se ter uma idéia mais precisa do carisma dos três, basta dizer que, depois de suas chegadas, esgotaram-se as vagas para a escolinha de Remo do clube. Dessa forma, o BOTAFOGO será obrigado a abrir novos horários para os interessados em treinar e ser treinados por estes dignos representantes da melhor estirpe do Remo mundial.
NO MUNDIAL
Outro importante marco para o nosso Remo foi a participação dos nossos rapazes no Campeonato Mundial Júnior, realizado em agosto, na Polônia. Rogério Palmeiro, Luís André, José Ricardo Motta e Pedro França formaram o quatro sem, e obtiveram, levando-se em conta os inúmeros problemas que lá surgiram (o barco alugado não chegou a tempo, os remos se extraviaram etc.), um excelente 12º lugar entre os 28 barcos que competiram.
Esta foi a segunda vez consecutiva que o BOTAFOGO participou do campeonato mundial desta categoria. No ano passado, na Alemanha, disputamos a mesma prova (mas com André Luís Motta substituindo seu irmão José Ricardo Motta) e conseguimos o mesmo décimo-segundo lugar obtido este ano, ao contrário do que saiu publicado na edição da Revista do BOTAFOGO, na qual informamos que o quatro sem havia vencido a prova. Estes dados nos levam a concordar com a declaração do técnico da equipe do BOTAFOGO, Marcão Amorim: “Caso a programação inicial tivesse sido cumprida, e levando em conta a maior experiência do nosso four, seria bastante provável chegar entre os seis primeiros colocados da nossa categoria, igualando, ou melhor colocação obtida por uma equipe brasileira num Mundial.” Porém as circunstâncias o levaram a reconhecer e aplaudir o empenho dos remadores alvinegros que, contra tudo e todos, mais uma vez souberam honrar o nome do BOTAFOGO no exterior.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 248 de 1995
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O ESPORTE É ESSENCIAL NA FORMAÇÃO DA PESSOA
Hugo Ibeas, advogado bem sucedido, associado de uma banca de alto gabarito, dedica signicativa parte de seu tempo para dirigir o Remo do BOTAFOGO e atuar em outras áreas de importância estratégica o para o Clube. Faz parte da comissão de reforma do estatuto do B.F.R. e do grupo executivo que analisa, negocia e organiza a viabilização do sistema de futebol-empresa no BOTAFOGO.
Responsável pela maior escola de remo do Rio, com mais de 300 alunos, funcionando durante toda a semana, o dr. Hugo também comanda, aproximadamente, 100 remadores de competição, cujas atividades começam às 4h30 da manhã e se estendem até o cair do sol. Para manter a escola funcionando bem e formar equipes campeães, num esporte caro como o remo, o dr. Hugo Ibeas conta com a imprescindível ajuda de grandes amigos e beneméritos do BOTAFOGO.
Ex-jogador, treinou por três anos no BOTAFOGO; amante do remo, passou a praticar esse esporte na categoria de veterano.
Botafoguense de berço, emociona-se ao recordar com orgulho que viu a decisão de 1948 contra o Vasco. Para contar essas e outras histórias e apresentar seu ponto de vista sobre a realidade do remo e do esporte como um todo, Hugo Ibeas recebeu a reportagem da REVISTA DO BOTAFOGO, em seu escritório no Centro do Rio.
REVISTA DO BOTAFOGO - Há quanto tempo o senhor atua no Remo do BOTAFOGO?
HUGO IBEAS - Na vice-presidência, desde maio do ano passado , mas eu já participei da direção do Remo do Clube, em outras épocas.
RB - Que época foi?
HI - Há 15 anos, quando, em conjunto com Antônio Carlos Azeredo e Henrique Lucena, atualmente grandes beneméritos do Clube, conseguimos, através de concurso pessoal e com o apoio de algumas empresas, realizar obras fundamentais em Sacopã, incluindo: a construção do atual varandão, o atual tanque de treinamento e a construção da garagem de barcos. Antes, tudo era precário e as construções rudimentares.
RB - Como o senhor consegue manter a sede náutica de Sacopã?
HI - Sacopã vem sendo mantida com muito esforço do Clube, mas, com o apoio recebido da diretoria houve melhorias substanciais. Destaco ainda a atuação de grandes botafoguenses, como a ajuda do benemérito Guilherme Arinos, que doou vários barcos importados, possibilitando ao BOTAFOGO competir, em igualdade de condições de equipamentos, com os demais clubes.
RB -Qual é a situação da equipe de ponta do BOTAFOGO?
HI -Na realidade, esse é o momento da reconstrução da equipe de remo do BOTAFOGO, muitissimo desfalcada no curso desse ano. Ano passado, fomos tri-campeões de juniores e neste ano, praticamente, não temos equipe nessa categoria, a não ser alguns poucos remadores remanescentes. Houve uma perda
muito grande de remadores para o Vasco da Gama. Estamos reconstruindo toda a nossa equipe para, na temporadade 1999, disputar seriamente o Campeonato da Cidade.
RB - Algumas vezes o mesmo barco é usado por várias guarnições nas regatas.
Isso não é prejudicial ao equipamento?
HI - Esse é um processo que não é o ideal, mas não chega a constituir um problema grave. O que o BOTAFOGO tem feito em matéria de investimento de novos barcos , em adição aos doados pelo Dr. Guilherme Arinos - é recuperar toda a sua antiga flotilha de madeira e adquirir barcos de treinamento, para equipar a Escola de Remo do BOTAFOGO que é a maior da cidade. Essa flotílha que usamos nas competições é composta por barcos de fibra de carbono, um matedrial levíssimo, muito durável.
RB - E os barcos de madeira?
HI - São barcos construídos na própria carpintaria do BOTAFOGO, pelo mestre naval Balthazar do Couto, que até hoje continua conosco, mas que, com o passar do tempo, perderam muito em competitividade. São utilizados pelas escolinhas e pré-equipes.
RB - Então esses barcos são bons para treinamento?
HI - Sim. Para aprendizado e treinamento continuam sendo excelentes barcos, por isso são usados pelo BOTAFOGO e também pelos outros clubes.
RB - Em termos administrativos, como está em Sacopâ?
HI -Sacopã é uma sede com um número muito reduzido de funcionários. Grande é o grupo de atletas, são alunos da escolinha, moças e rapazes, pessoas de todas as idades, que procuram o BOTAFOGO para praticar o remo e fazer também outras atividades, como ginástica, musculação, ioga e capoeira. Essas são atividades acessórias que contribuem com receita para manter o remo ativo e em condições de evoluir. Em matéria de administração, não temos grandes novidades. No fundo, o remo tem se mantido, basicamente, com a ajuda pessoal de grandes botafognenses, que têm apreço e amizade pelo esporte, como é o caso do Antônio Carlos, do Lucena, do Thedim, do João Pedro Figueira, do Rodrigo Maia e do Presidente do Conselho Deliberativo Mauro Ney Palmeiro, entre outros.O presidente Rolim e o ex-presidente Montenegro, por exemplo, acabam de doar ao remo dois ergômetros, aparelhos essenciais ao treinamento da equipe.
RB - Como começou o seu envolvimento com o BOTAFOGO?
HI - As minhas primeiras lembranças são dos idos de 48, quando eu tinha 10 anos. Acompanhando meu pai e irmãos, vi o BOTAFOGO ser campeão, em General Severiano, num jogo memorável contra o Vasco da Gama, onde vencemos por 3 a l. Assisti jogo das sociais do BOTAFOGO e o curioso é que, quatro anos depois, comecei a jogar futebol no Clube, pratica que mantive por três anos, tendo como técnico o lendário Neném Prancha. Eramos um grupo de rapazes moradores da Zona Sul, de Copacabana. Jogávamos futebol no BOTAFOGO e também na praia. Desse time - que era muito bom - tres jogadores se projetaram, sendo que dois se tornaram profissionais: o Carlinhos, que foi jogador meio-de-campo do Flamengo e mais, recentemente, foi técnico; o Ronald Marreta, que jogou muito tempo no BOTAFOGO, em companhia de jogadores fabulosos, como Didi, Nilton Santos e Garrincha e, o outro foi Paulinho Portugal, que hoje é sócio emérito do Clube. Embora tivesse jogado muitos anos se manteve um amador, sem remuneração. Ele era amador mesmo e jogava por amor. Nunca se projetou nos noticiários porque era reserva do Garrincha.
RB -Especificamete, no remo, qual foi a sua atividade?
HI - Sempre gostei muito de remar e apesar de não ter tido oportunidade de me dedicar ao remo como esporte, na época em que eu estive lá com o Antônio Carlos, participei de regatas como veterano , além de participar da direção do Clube. Desde então sempre me mantive ligado ao remo.
RB - O senhor teve algum ídolo nesse esporte?
HI - Tivemos grandes remadores, mas no remo não há propriamente o ídolo, como no futebol. É um esporte coletivo, de grupo, onde não há uma idolatria.
RB - Voltando ao futebol, vindo para a atualidade, o que o senhor acha que o futebol-empresa pode trazer de bom para o BOTAFOGO?'
HI - Tenho trabalhado com o presidente Rolim e com os vice-presidentes Luiz Octávio, Alberto Macedo, Ricardo Macieira e Sebastião Figueira, em busca de um modelo ideal para a questão do futebolempresa. Examinamos algumas propostas e, na realidade, com a situação econômica atual, tudo ficou mais difícil. O futebol-empresa é um imperativo legal. A lei exige que os clubes, no prazo de dois anos, criem sociedades comerciais que se dediquem ao futebol profissional. Além de ser uma exigência legal, é uma necessidade inevitável, porque os clubes passam por dificuldades financeiras. Não possuem recursos próprios nem receitas, os salários dos jogadores são altissirnos e ninguém pode imaginar que o futebol continue da forma que está sendo conduzido, porque todos os clubes estão nessa situação. Os dirigentes devem procurar um caminho, através de parcerias, fazer um processo de co-gestão no futebol e receber investimentos externos. Do contrário, não vejo saída para os clubes. Não se trata de, absolutamente, entregar o clube a um banco ou a um empresário qualquer, mas, isto sim, de estabelecer uma associação que preserve a tradição e o acervo histórico que cada clube possui, atraindo os recursos necessários, para que possam sair da situação de extrema dificuldade que enfrentam no dia-a-dia. Os clubes, de um modo geral, estão com os salários atrasados, incapacidade total de investimentos, endividamento insuportável, inclusive, a contra-gosto, com isso não me parece ser uma coisa duradoura. No BOTAFOGO, com certeza, a prática desses esportes vai manter o seu caráter amadorístico.
RB - O senhor é uma pessoa que se dedica ao remo, aliás, ao BOTAFOGO como um todo, isso demanda muito tempo. Por que um advogado, bem sucedido, cheio de tarefas se dedica tanto? O senhor tem algum ganho material sendo vice-presidente de Remo do BOTAFOGO?
HI - Não sou remunerado como vice-presidente de Remo, nem para trabalhar no projeto do futebol-empresa, ou nas comissões de reforma do Estatuto do BOTAFOGO. Tudo isso já me tomou várias noites, mas isso tudo eu faço por amor. Dedico-me ao remo porque é uma atividade que me faz bem, é born para a mocidade e tem uma função social clara. O BOTAFOGO mantém a prática do remo há mais de um século, desde 1894, são milhares e milhares de jovens que passaram pelo Clube, num trabalho quase anônimo, que não sai no jornal, que não faz publicidade pra ninguém. No entanto, é um trabalho altamente relevante.
RB -Qual é situação legal da sede do Sacopã?
HI - O BOTAFOGO está lá no Sacopã desde 1948. Recebeu, do Estado, uma licença de uso daquelas instalações que, periodicamente, é renovada. A atual licença é válida até o ano de 2008.
RB - O que o senhor destacaria, em termos de competição?
HI - No passado, fomos tri-campeões de juniores - que é a categoria onde existe maior competitividade no remo - e campeão de principiantes. Um barco do BOTAFOGO dois-com de juniores foi o Campeão Sul-Americano. Neste ano, embora o campeonato tenha ficado com o Vasco da Gama, o BOTAFOGO foi bi-campeão de principiantes e campeão feminino e concentrou um grande número de moças na prática do remo. As nossas equipes infantis e infanto-juvenis vão formar o nosso contigente para a categoria juniores do ano que vem e já estamos formando mais remadores nas categorias principiantes e estreantes. Atualmente, temos duas guarnições de ponta: uma com duas remadoras, da categoria juniores, que foram selecionadas pela Confederação Brasileira de Remo e devem participar do campeonato mundial no ano que vem; outra formada por quatro remadores masters pesos leve, até 70 kg, que tem conquistado vários campeonatos inter-estaduais e brasileiro e, hoje, estão com um barco que, certamente, deve representar o Brasil nos campeonatos internacionais, nessa categoria. Isto representa um grande esforço da nossa equipe técnica, chefiada pelo Marcão e pelo Xoxô, melhor timoneiro do Brasil.
RB - A que o senhor atribui o sucesso da escola do remo do BOTAFOGO, hoje considerada a maior do Rio?
HI - Em primeiro lugar, ao trabalho feito para a recuperação do equipamento, dotando a escola de muitas embarcações de treinamento. O segundo fator, que contribuiu, foi a procura pelo remo que cresceu muito nos últimos três anos.
Aproximadamente, 350 alunos praticam remo , no BOTAFOGO. E de lá que o Clube extrai a maior parte dos componentes de sua equipe. Das escolinhas selecionamos alunos para a pré-equipe, que passam por um treinamento intensivo e os que têm mais aptidão integram nossa equipe de competição. Esse é o processo natural. O terceiro elemento, que explica o crescimento da escola de remo, e o fato de a Lagoa Rodrigues de Freitas ter se tornado um point muito procurado por pessoas de todas as partes da cidade.
RB - A receita da escola, dá para manter o remo, é auto-suficiente?
HI -Não, ela é insuficiente. Atende grande parte das despesas do remo, mas é insuficiente. Não é só uma equipe de remo que temos em Sacopã. O BOTAFOGO tem ali sua sede náutica, com contas de energia elétrica, água, telefone, pagamento de funcionários, material de limpeza e manutenção permanente, gerando custos. Ali não há somente uma equipe de atletas e uma comissão técnica, como na natação por exemplo. E uma situação complexa porque, ao mesmo tempo que precisamos manter as equipes em condições de competir, temos que manter a sede funcionando, com o agravante de os barcos serem Caríssimos.
RB - Quanto custa um bom barco de remo?
Um alemão está custando em tomo de US$ 401ml, considerando-se a tributação e o frete ele sai pelo dobro desse valor, é realmente um esporte muito caro. Nunca foi um esporte muito barato, mas quando o barco podia ser construído no próprio clube as condições eram mais favoráveis, por isso é um esporte caro..
RB - A indústria brasileira atua na área do remo?
HI - A indústria brasileira, no que concerne à fabricação de barcos para remo, praticamente não existe. Não temos aqui nenhum movimento a não ser algumas ações isoladas, na construção de barcos pequenos individuais, como é o skíff de um remador, mas sem qualidade, porque o mercado também é estreito e pequeno. O remo é praticado no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, com alguma intensidade. Em São Paulo, nem tanto. No Nordeste, especialmente em Pernambuco, tem remo e também no Espirito Santo. Fora esses estados, temos remo em outros lugares, mas não chega a ser de forma expressiva. Na Europa, ao contrário, o remo é um esporte popular, em qualquer lugar se encontra praticantes. Na Argentina existem duas fabricas de barcos de remo de competição e centenas de clubes que se dedicam a esse esporte.
RB - O que precisaria ser feito para o remo crescer no Brasil?
HI- Precisa de recursos. A não ser Vasco, Flamengo e BOTAFOGO, que se dedicam ao remo de uma forma mais substancial , os clubes não têm meios de investimento e, sem recursos, fica muito difícil o esporte se desenvolver. Na realidade, o remo precisa de patrocínio. Os patrocinadores não se interessam, porque a mídia não divulga. Por mais que tenhamos aqui um estádio de remo, o público não é grande e não podemos, sequer, pensar em cobrar ingresso. O remo é um esporte que não freqüenta os jornais, a não ser modestamente, em dias de regata. No remo as equipes precisam treinar nas novas guarnições que são formadas de regata para regata. E essencialmente um esporte coletivo, sincronizado, precisa tempo de treinamento, normalmente um mês e nesse período de tempo o remo desaparece do noticiário.
RB - O BOTAFOGO tem realizado algumas ações que motivam os atletas. E o caso do plano de saúde, das bolsas de estudo e, mais recentemente, oferecendo o café da manhã e os cuidados nutricionais. Apesar das dificuldades, o BOTAFOGO avançou no aspecto motivacional?
HI- Felizmente, temos conseguido obter um apoio, no que concerne à melhoria de nutrição dos remadores, a na alimentação. É preciso dar café da manhã para os remadores , porque, via de regra, vão treinar às 4h30 da manhã, a grande maioria é de estudantes ou adultos têm que trabalhar, depois do treinamento.
É religioso o café no próprio clube, do contrário não resistiriam às suas jornadas matutinas.
RB - Como funcionam as escolinhas?
HI - A escola de remo está aberta para adultos e para crianças a partir de 10 anos. Pode-se praticar o remo desde as 5h30, é o aluno que escolhe o seu horário e vai
até o anoitecer. O único requisito é que a pessoa saiba nadar, porque algum barco pode virar, mas não é arriscado, não há acidente, nunca houve nada de mais grave. Aproveito para convidar a família botafoguense - sobretudo, os dependentes de sócios - a nos procurar, pois queremos, idealmente, que as nossas guarnições de remadores sejam formadas por botafoguenses.
RB - Agora, mais do que nunca, parcerias são necessárias para manter a evolução do remo. O senhor tem algum projeto em andamento nesse sentido?
HI -Ternos um entendimento, ainda em início, com uma escolinha de remo que foi criada na Barra da Tijuca, por ex remadores do BOTAFOGO. Damos apoio técnico, através da nossa equipe; emprestamos barcos para treinamento, em troca, eles nos encaminham os atletas selecionados para integrar a equipe do BOTAFOGO. E uma forma do Clube compor sua equipe de remo. Há um outro projeto, já em curso, com a Faculdade da Cidade, presidida pelo dr. Ronald Levinson, também botafoguense, que praticou remo no Sul, de onde é originário. Motivado pela consciência de que o esporte é muito importante como complemento à cultura e à educação, a que se dedicam a Faculdade da Cidade e Colégio da Cidade, temos tido entendimentos a respeito para formar, através de um convênio, uma espécie de Centro Cultural de Esporte, na sede do remo. Projeto ao qual essas entidades darão bolsas de estudo a remadores do BOTAFOGO; comprarão barcos e farão obras essenciais em Sacopã, como a duplicação do salão de ginástica e a construção de uma quadra polivalente. A planta foi apresentada aos órgãos competentes para obtenção das licenças necessárias. Estamos intensificando contatos mais objetivos com o Prof. Levisinson, a fim de levar avante esse projeto.
RB - Isso criará uma equipe BOTAFOGO-Faculdade da Cidade?
HI - Sim, mas ninguém quer mudar nome de coisa alguma. Passaremos a contar com um manancial de remadores, vindos da Faculdade e do Colégio da Cidade e os nossos atletas poderão estudar nesses estabelecimentos, será um benefício mútuo. Isso vai ser realmente formidável para o nosso remo.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Revista Oficial do BFR nº 253 de 1998
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CAMPEÃO ESTADUAL DE 1997 PRINCIPIANTES
Acervo particular Angelo Antonio SeraphiniFonte: Boletim Planeta Botafogo nº 5 de novembro de 1998
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Remador do Botafogo, Lucas Verthein garante vaga nas Olimpíadas de Tóquio
Brasileiro conquistou a vaga no Pré-Olímpico das Américas de remo, que foi disputado na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, e foi o único barco brasileiro a carimbar o passaporte.
O Brasil tem mais um atleta garantido na disputa dos Jogos Olímpicos de Tóquio, que acontecem neste ano. Se trata do remador Lucas Verthein, do Botafogo, que assegurou vaga na disputa do single skiff nesta sexta-feira (05/03/2021) através do Pré-Olímpico das Américas de remo.
Com Lucas, o Brasil passa a ter 181 atletas garantidos na principal competição poliesportiva do mundo, que acontece em 2021 após um adiamento por conta da pandemia da Covid-19.
Fonte: site Globo.com
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