REMO DECADA DE 40
TÍTULOS DO BOTAFOGO FR
Campeonato Estadual Sub-23 de 2019
Regata Remo do Futuro de 2018.3
Campeonato Brasileiro de 2018
Campeonato Estadual de 2018
Troféu Eficiência de 2018
Campeonato Estadual Aberto de 2018
Campeonato Estadual Sub-23 de 2018
Campeonato Estadual Peso Leve de 2018
Campeonato Estadual Peso Leve Sub-23 de 2018
Regata Remo do Futuro de 2018.1
Campeonato Brasileiro de 2017
Campeonato Estadual de 2017
Troféu Eficiência de 2017
Campeonato Estadual Aberto de 2017
Campeonato Estadual Júnior A de 2017
Campeonato Estadual Sub-23 de 2017
Campeonato Estadual Feminino de 2017
Campeonato Brasileiro de Barcos Curtos de 2017
Campeonato Estadual de 2016
Troféu Eficiência de 2016
Campeonato Estadual Aberto de 2016
Campeonato Estadual Júnior A de 2016
Campeonato Estadual Sub-23 de 2016
Campeonato Estadual Peso Leve Sub-23 de 2016
Campeonato Estadual Peso Leve de 2016
Campeonato Brasileiro de 2016
Regata de Velocidade de 2016.2
Campeonato Brasileiro de Barcos Curtos de 2016
Campeonato Estadual de 2015
Troféu Eficiência de 2015
Campeonato Estadual Júnior A de 2015
Campeonato Estadual Sub-23 de 2015
Campeonato Estadual Peso-Leve de 2015
Campeonato Estadual de 2014
Troféu Eficiência de 2014
Campeonato Estadual Aberto de 2014
Campeonato Estadual Infantil de 2014
Campeonato Estadual Júnior A de 2014
Campeonato Estadual Júnior B de 2014
Campeonato Estadual Sub-23 de 2014
Campeonato Estadual Peso Leve Sub-23 de 2014
Campeonato Estadual Peso Leve de 2014
Campeonato Brasileiro Júnior de 2014
Campeonato Brasileiro de 2014
Campeonato Estadual de 2013
Troféu Eficiência de 2013
Campeonato Estadual Aberto de 2013
Campeonato Estadual Júnior A de 2013
Campeonato Estadual Sub-23 de 2013
Campeonato Estadual Peso Leve de 2013
Campeonato Estadual Peso Leve Sub-23 de 2013
Campeonato Brasileiro Júnior de 2013
Campeonato Brasileiro de 2013
Campeonato Estadual Aberto de 2012
Campeonato Estadual Aspirante de 2012
Campeonato Estadual Júnior B de 2012
Campeonato Estadual Peso Leve Sub-23 de 2012
Campeonato Estadual Peso Leve de 2012
Campeonato Estadual Aberto de 2011
Campeonato Estadual Aspirante de 2011
Campeonato Estadual Infantil de 2011
Campeonato Estadual Júnior A de 2011
Campeonato Estadual Peso Leve de 2011
Regata Enseada da Glória de 2010
Regata Remo do Futuro de 2010.1
Campeonato Estadual Júnior B de 2009
Regata de Campos dos Goytacazes de 2009
Regata Remo do Futuro de 2009.2
Desafio de Remo de Resende de 2009
Campeonato Estadual Infantil de 2008
Campeonato Estadual Peso Leve Sub-23 de 2008
Regata Remo do Futuro de 2008
Troféu Brasil Sênior B de 2005
Troféu Brasil Sênior B de 2004
Troféu Brasil Júnior de 2004
Troféu Brasil Sênior B de 2003
Troféu Brasil Sênior B de 2002
Troféu Brasil Júnior de 2001
Troféu Brasil Júnior de 1997
Campeonato Estadual Júnior de 1980
Campeonato Estadual Júnior de 1979
Campeonato Estadual Aspirante de 1975
Campeonato Estadual Júnior de 1974
Campeonato Estadual Júnior de 1973
Campeonato Estadual Júnior de 1972
Campeonato Estadual de 1962
Campeonato Estadual de Seniores de 1962
Campeonato Estadual de Principiantes de 1962
Regata Internacional Assunção de 1962
Regata Clássica Presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira de 1962
Regata Clássica Pereira Passos de 1962
Regata Clássica Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara de 1962
Regata Clássica Carlos Nery Stelling de 1962
Regata Clássica Arnaldo Costa de 1962
1ª Regata do Lago Artificial de Brasília de 1962
2ª Regata do C. R. Guanabara de 1962
3ª Regata da Federação Metropolitana de Remo de 1962
7ª Regata da Federação Metropolitana de Remo de 1962
6ª Regata do Fluminense de Natação e Regatas de 1962
Campeonato Estadual de Outriggers a dois com de 1962
Campeonato Estadual de Single-Skiff de 1962
Campeonato Estadual de Double-Skiff de 1962
Campeonato Estadual de Outriggers a oito com de 1962
Troféu Antunes Figueiredo de 1962
Campeonato Estadual de Principiantes de 1947
Fonte: esporterio.blogspot.com
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Brilharam as cores alvinegras no duelo contra o Flamengo
O brilho da temporada náutica de 1943, por si só, justificaria o ambiente de ansiosa expectativa com que os meios aquáticos da cidade aguardaram o certame inaugural promovido pela Federação Metropolitana de Remo. Mas a regata oferecia outros atrativos alem do que sugeria o sucesso da temporada passada. Devemos destacar, em primeiro lugar, a rivalidade entre o Flamengo e o Botafogo de Football e Regatas. Os Srs. Luiz Aranha e Arnaldo Costa apostaram na vitoria de seus respectivos clubes e ambos mantinham confiança absoluta no triunfo. O ex-presidente da C B. D. contava nada menos com oito primeiros lugares, mas isso não Intimidou, em absoluto, o orientador da campanha triunfal do tetracampeão da cidade. Outra circunstancia que merece ser focalizada, já que estamos nos referindo aos motivos de interesse da competição de domingo último é o fato de constar do programa quatro provas clássicas: "Joaquim Carneiro Dias", "Pereira Passos", "Henrique Dodsworth" e "Getulio Vargas". Nestes pareos não só o rubro-negro como o alvi-negro eram candidatos sérios, outros clubes, como o Vasco da Gama, o Internacional e o Guanabara também surgiram como aspirantes temíveis aos primeiros lugares.
SENSACIONAL DUELO FLAMENGO E BOTAFOGO
Não será exagero dizer-se que o desenrolar da regata na manhã de domingo excedeu a qualquer expectativa. E julgamos oportuno frisar que, menos pela numerosa afluencia a Santa Luzia — inclusive pela presença de altas autoridades — do que pelo ardor combativo que revelaram os remadores. O duelo Flamengo e Botafogo, pela vitoria foi verdadeiramente sensacional. Basta dizer que até o último pareo, não se sabia quem seria o vencedor. O "Glorioso" assumiu a liderança, mantendo-a até o sétimo pareo. Mas, na prova seguinte, perdeu esse posto para o Flamengo. No entanto, na prova seguinte, o Botafogo toma a ponta, perdendo-à novamente na décima prova. O revezamento prosseguiu no undécimo pareo, quando o Botafogo voltou a manter o bastão da liderança. Acreditem ou não, o Flamengo reagiu na prova seguinte e, numa arrancada que visava ser decisiva, manteve esse posto privilegiado até à décima quinta prova. Será fácil calcular, assim, a ansiedade com que foi aguardada a disputa do último pareo do certame. O Flamengo levava a vantagem de um primeiro lugar, mas se o alvi-negro conseguisse vencer, levaria vantagem no computo geral de pontos, pelas colocações secundarias.
VENCE O BOTAFOGO
O pareo final e decisivo foi corrido num ambiente de nervosismo. Pela primeira vez seria realizado no Brasil e, alem disso, ia decidir a vitoria num duelo empolgante entre dois grandes rivais. A prova constava de um revezamento de 4 x 1.000 metros, por novíssimos, em yoles a 8, por principiantes em yoles a 4, por seniors em out-riggers a 4. Nos primeiros mil metros, o Botafogo superou o Flamengo por um barco; nos 2.000 metros chegou em primeiro lugar o Vasco, com uma vantagem do um barco sobre o Flamengo; nos três mil metros, o primeiro lugar coube ao Botafogo, secundado pelo Vasco. Nesta altura arvorou o barco do Flamengo, que assim desistiu do revezamento. No final, o Botafogo venceu a prova por uma diferença de cem metros sobre o Vasco, se gundo colocado.
AS PROVAS CLÁSSICAS
As provas clássicas apresentaram os seguintes vencedores: prova "Presidente Getulio Vargas", Botafogo; prova "Henrique Dodsworth", Gragoatá; prova "Pereira Passos", Flamengo; e prova "Joaquim Carneiro Dias", Vasco. No pareo de honra, chegou em primeiro lugar a guarnição do Internacional.
RESULTADOS DOS PAREOS
Principiantes — Yoles franches a 4 — Pareo de Honra —1º lugar. Internacional; 2º Icaraí; 3º Piraquê.
Prova Clássica "Presidente Getulio Vargas" — Juniors, out-riggers a 4 – 1º lugar, Botafogo; 2º Guanabara; 3º Flamengo.
Novíssimos — Yoles franches a 8 — 1º lugar, Botafogo; 2º Flamengo; 3º Guanabara.
4ª prova – Principiantes - Skiff Trincado – 1º lugar – Boqueirão; 2º Guanabara; 3º Botafogo.
5ª prova clássica “Henrique Dodsworth” – Estreantes – Yoles franches a 4 – 1º Gragoatá; 2º Flamengo; 3º Botafogo.
6ª prova – Seniors – out-riggers a 4 com patrão – 1º Flamengo; 2º Botafogo.
7ª prova – Estreantes yolles franches a 8 – 1º Guanabara; 2º Internacional.
8ª prova – Novissimos – Doble Trincado – 1º Flamengo; 2º Guanabara; 3º Botafogo.
9ª prova – Estreantes – Yoles a franches a 2- 1º Natação; 2º Botafogo; 3º Vasco.
10ª prova – Clássica “Pereira Passos” - Olá?; Gragoatá; Seniors — Estreantes Novíssimos treantes sica "Henrique 2". Flamengo: Óut-riggers — YoleNovissimos – Yoles gigs a 4 – 1º Flamengo; 2º Botafogo; 3º Guanabara.
11ª prova – Principiantes – Yoles franches a 8 – Vencedor Botafogo.
12ª prova – Senoir – Double liso – 1º Flamengo; 2º Botafogo; 3º Vasco.
13ª prova – Novissimos – Yoles gigs a 2 – 1º Natação; 2º Guanabara; 3º Gragoatá.
14ª prova – Seniors – Out-riggers a 2 com patrão – 1º Guanabara; 2º Botafogo; 3º Flamengo.
15ª prova – Clássica Joaquim Carneiro Dias – Principiantes – Yoles franches a 2 – 1º Vasco; 2º Botafogo; 3º Internacional.
16ª prova – Revesamente 4 x 1000 metros – 1º Botafogo; 2º Vasco.
SENSACIONAL O DUELO ENTRE O BOTAFOGO E O CAM PEÃO DA CIDADE — A VITÓRIA DO "GLORIOSO" FOl CONQUISTADA NO ÚLTIM0 PAREO — AS PROVAS CLÁSSICAS DA REGATA INAUGURAL DA TEMPORADA DE QUARENTA E QUATRO
CONTAGEM FINAL
As guarnições concorrentes a regata obtiveram as seguintes colocações:
1º lugar — Botafogo; 4 primeiros, 6 segundos e 1 terceiros lugares. 2º lugar - Flamengo: 4 primeiros, 2 segundos e 2 terceiros lugares. 3º lugar — Guanabara: 2 primeiros, 4 segundos 2 terceiros lugares.
4º lugar — Natação e Regatas: 2 primeiros lugares.
5º lugar — Vasco da Gama: 1 primeiro, 1 segundo e 2 terceiros lugares.
6º lugar — Internacional: 1 primeiro, 1 segundo 2 1 terceiro lugares.
7º lugar — Gragoatá: 1 primeiro e 1 terceiro lugares.
8º lugar — Boqueirão: 1 primeiro lugar.
9º lugar — Icarai: 1 segundo lugar
10º lugar — Piraquê: 1 terceiro lugar.
Fonte: Jornal O Globo Esportivo nº 291 de 31 de março de 1944
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GALERIA DOS NOSSOS VALORES
Continuando o nosso programa de apresentar mensalmente aos associados do Botafogo F. R., figuras de realce das nossas equipes desportivas, temos oportunidade de focalizar no presente numero de Botafogo um dos mais valorosos
componentes da nossa seção de Remo - Eliezer Magalhães Filho.
Tendo se iniciado na pratica do remo em 1940, Eliezer jamais vestiu outra camisa que não a da Estrela Solitaria e a sua carreira nautica vem se desenrolando com extraordinario brilhantismo, pontilhada de magníficos triunfos, que embora de grande valor não conseguiram modificar-lhe a caracteristica modestia.
Grandes vitorias conquistou Eliezer, em qualidade e em quantidade e assim em fins de 1943, ano aureo da sua carreira, em que correndo sete vezes laureou-se em seis oportunidades, foi agraciado pelo Botafogo com o honroso titulo de "socio atleta emerito”.
Tem no seu acervo de vitorias os seguintes premios classicos:
“Prova Classica Pereira Passos”;
“Prova Classica Presidente Vargas”;
“Prova Classica Gustavo Werker”;
“Prova Classica Comandante Midosi" ,além da vitoria de honra da celebre regata noturna, quando, ainda recem egresso da classe de remador novíssimo, derrotou com seus companheiros habituais, os melhores remadores do Rio de Janeiro.
Atualmente pertence, pela classificação oficial da Federação Metropolitana de Remo, à classe de Seniors, onde já se tem exibido com sucesso nas raias cariocas.
Dono de fisico privilegiado e de uma moral desportiva ideal, extremamente disciplinado, dedicado ao seu clube e ao treinamento por vezes rude que lhe tem sido imposto,no preparo paras as grandes provas que tem conquistado, comparecendo aos ensaios sem jamais faltar, mesmo às vezes indisposto ou enfermo, Eliezer Magalhães Filho pode e deve ser considerado com inteira justiça o padrão do remador botafoguense.
Na vida privada é Eliezer, excelente aluno da 4ª serie da Faculdade Nacional de Direito, onde tem feito valer os seus finos dotes de inteligencia.
Defendendo as cores universitarias da sua Faculdade, já conquistou o titulo de bi-campeão universitario brasileiro de remo.
De elementos como Eliezer Magalhães Filho muito precisa o nosso clube, e do nosso apresentado de hoje muito e muito ainda espera o Botafogo de Futebol e Regatas.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungstedt
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 43 de janeiro de 1945
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GALERIA DE NOSSOS VALORES
Como temos feito em todos os números de "Botafogo"! a galeria dos nossos valores apresenta neste mês à coletividade-botafoguense mais um membro destacado, pelos seus dotes morais e técnicos de uma das nossas representações esportivas. Com o inicio da temporada do remo, e à equipe de remadores fornece, o elemento para a galeria , e a escolha, obviamente teria de recair no Moacyr, mais antigo, embora muito ,moço, dentre os nossos remadores. Mas, antiguidade não é posto, dirão, esta certo. Mas o Moacyr conquistou a 'galeria" não só com antiguidade, mas sim, pasmem leitores: a golpes de remo e que remadas!... longas à prôa e a ré que coração botafoguense!... Desportista na acepção da palavra, já trouxe de S. Paulo o Moacyr - de onde veio estudar Medicina em nossa Faculdade na massa do sangue ,a energia característica dos "sportmen" que sobresaem do nivel comum. Tem classe o rapaz, e é de família a caracteristica. O seu irmão mais velho - Nestor - era aquele famoso Nestor do Paulistano, Nestor do triângulo Nestor-Clodoaldo e Barthô, dos campos europêus, naquela excursão famosa!... Durante fases menos felizes da nossa Secção de Remo, quando esta, por circunstâncias várias não possuia o poderio que hoje exibe, e era preciso, pelo menos mandar um conjunto à raia para manter a tradição, podia-se contar - o Moacyr lá estava. E isso muitas vezes. A tudo enfrentava: adversários altamente categorizados servidos de material de primeira classe, - o Moacyr defrontou em barcos nos quais às "mãos" de verniz se sucediam para cobrir as deficiências do casco! Mas tôda a medalha tem o seu reverso, ou verso se -quizerem, e assim, reorganizada a nossa Secção de Remo, passou o nosso focalizado a acumular medalhas! E muitas medalhas!... Atualmente já ingressou na Última classe oficial de remadores a de "Seniors" e recebeu do Club a maior honraria que o mesmo confere aos seus atlétas o titulo de sócio emerito-atléta.
Conta Moacyr de Almeida cerca de onze vitórias oficiais, nos mais variados tipos de barco, contando-se entre os seus, sucessos as provas clássicas: Estados Unidos do Brasil, Pereira Passos, Imprensa Carioca, Comandante Midosi e a prova de honra de revesamento Ministro Oswaldo Aranha. Entretanto ainda não poude o Moacyr cumprir o seu anhelo máximo; vencer o Campeonato do Rio de Janeiro. É, saiba-se que por duas vezes, chegou a sentir de perto o bafejo da chance. A primeira em 1940 quando perdeu no "oito" para o Vasco da Gama por bico escasso de prôa e em 1943 quando, com a vitória assegurada no "quatro com patrão", uma indisposição de um companheiro roubou-lhe a grande oportunidade.
Mas Moacyr não cede, não desanima, não se deixa vencer. E luta; e toldos os anos, é um prazer vê-lo otimista, entusiasta, à chuva ou ao sol, com a querida camisa que sempre foi sua, em busca do título que, lhe fugiu duas vezes, mas há de ceder, um dia, perante a sua imperturbável perseverança!
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungstedt
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 49 de agosto de 1945
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QUATRO BRILHANTES VITÓRIAS NA REGATA DE JUNHO
Pela segunda vez vencemos a Prova Classica Comte. Irineu Ramos Gomes
Em 24 de Junho a Federação Metropolitana de Remo fez disputar, na raia do Saco de São Francisco, a 2ª regata oficial do ano. O tempo, inclemente, chuvoso e frio comprometeu em muito o aspecto social do certame, assim como a forte viração sudoeste que caiu durante a disputa dos ultimos pareos prejudicou a parte técnica dos mesmos.
Fomos ao certame com uma equipe menor que o temos feito de outras vezes, mas em compensação, todos os nossos conjuntos ostentavam excelentes condições de preparo, o que ficou amplamente evidenciado pelas quatros brilhantes vitorias alcançadas pelos nossos rapazes; aos quais coube ainda dois convincentes terceiros lugares.
Não é bôa estrategia comparecer ao Saco de São Francisco com uma equipe muito numerosa, porque tendo-se que levar um grande numero de barcos, torna-se dificil a travessia para a raia da vizinha cidade, principalmente para os clubes da praia de Botafogo, na altura da travessia da barra.
Expõe-se a flotilha ao mar sempre bravio nessa travessia e os resultados nem sempre compensam o perigo que correm os barcos de classe, frageis e carissimos.
Fomos portanto ao certame com unica equipe em sua maioria constituida pelas guarnições de Estreantes, novissinos e Principiantes, pois as yoles franches em que corremos oferecem menor preocupação na longa viagem á Niterói.
E conquistamos quatro bôas vitorias, sendo a mais importante a conquistada na Prova Clássica Comte. Irineu Ramos Gomes. Esta prova foi instituida em 1944 para homenagear o grande vulto do desporto nautico que dedicou quasi toda a vida ao preparo dos adeptos dos desportos do mar. Já em 1944 vencemos esta prova na sua primeira disputa em memoravel chegada e agora repetiram o feito os nossos rapazes, aliás com certa facilidade. A nossa guarnição correu na veteranissima e formidavel Procyon, que continúa mantendo o ritmo de duas vitorias por regata, sob a patronagem de Ademar Cecilio Manes e com a seguinte constituição:
Vóga: — Guilherme do Eirado Silva
S. vóga: — Anibal Ribeiro Guimarães.
C. vóga: — Paulo Manoel Torres.
1º Centro: — Rubem Treiger.
2º Centro: — Abilio Dias Filho.
C. prôa: — Dirceu Ferraz Cerzi.
S. prôa: José Simeão Corrêa da Silva.
Prôa: — João da Rocha Machado.
O nosso conjunto venceu facil correndo na vanguarda desde o tiro de saída. Em 2º lugar chegou o conjunto do C. R. Vasco da Gama. Outra brilhante vitória de nosso oito de Principiantes verificou-se no 7º Pareo, novamente na Procyon, ainda sob a condução do Ademar Manes que vem se revelando um excelente patrão nos barcos a 8 remos. Também ganharam folgadamente os nossos principiantes evidenciando esmagadora superioridade sobre os adversarios. Estava assim constituido o conjunto vitorioso no 7º:
Vóga: Zélio Castelo Branco
S. vóga: — Renato Marcelo Borges Fonseca.
C. vóg'a: — Homero Leal de Meireles.
1º Centro: — Geraldo Luiz Ferreira Coe
2º Centro: — Celio Luiz Bittencourt. '
C. prôa: — Ivo Estrela Campos.
S. prôa: — Max Brando.
Prôa: — Gustavo Alves da Costa.
Este nosso conjunto desempenhou da brilhante figura, ao forçar a classe dobrar nos 2000 metros da Prova Classica Gustavo Merker para Novissimos, que depois de lutar bravamente alcançou um bom 3º posto.
As duas, outras vitórias foram obtidas por um só conjunto, que dobrando venceu as duas provas para yoles a 2, na classe de Estreantes e de Principiantes, porque era este um dos páreos de Honra da Regata, tendo mesmo o totulo do Clube promotor da regata o Clube de Regatas Icarahy;
A nossa fortissima Guarnição, duplamente vencedora correu na "Vega", nova Yole a 2 de construção dos nossos estaleiros proprios, foi timoneada pelo Mario Newton da Pin Galvão — o "esperto" Palombêta e estava formada pelos remadores: Thomaz Augusto de Carvalho B (vóga) e Thomaz de Mello Dias -(proa).
Pelo que se depreende da sintese acima vê-se que foi brilhante a atuação nossa equipe na Regata de Junho.
No computo final dos pontos colocamo-nos em 2º lugar, com igual numero vitórias que o Vasco da Gama vencedor certame mediante os pontos que conquistou nas colocações secundarias.
Foi portanto um resultado animador, e Ary Torres Guimarães, nosso dedicado diretor de Remo, deve estar de parabéns pela a ação dos seus pupilos, dos quais podemos esperar novos e brilhantes sucessos nos próximos confrontos canoeiros.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungstedt
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 49 de agosto de 1945
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O Botafogo venceu o estreantes da F. M. Remo
De acordo com a politica adotada pela nossa direção de remo — de crear urna jovem e numerosa equipe, preparando os nossos rapazes para a futura defesa das nossas cores no mar, já colheu o BOTA-FOGO o primeiro louro fruto dessa nossa orientação.
A Federação Metropolitana de Remo faz disputar, através as regatas da temporada, os campeonatos de classe: estreantes, novissimos e juniors. O maior vencedor dos pareos reservados as classes de rema dores sagra-se campeão da classe respectiva, conferindo-se maior contagem de pontos aos barcos de oito remadores.
Com a nossa nova equipe de remo em formação vencemos o Campeonato de Estreantes de 1945.
Conquistamos nessa classe de remadores varias e brilhantes triunfos, merecendo um registro especial a vitoria na Prova Classica Comte. Irineu Ramos James, em que os nossos estreantes se sagraram vencedores, aliás pela segunda vez consecutiva.
Dos nossos estreantes pois, educados na nossa propria escola de remo e formados no ambiente de acendrado devotamento ás nossas gloriosas cores, muito pode o Botafogo esperar; esperamos realmente vê-los já com classe e calejados no rude e varonil desporto vencendo os seus adversarios nas grandes lutas e cotejos maximos do remo metropolitano, agora rejuvenescido e em franca ascenção técnica! Aos nossos jovens defensores e ao seu dedicado diretor e preparador, Ari Torres Guimarães, as noras felicitações.
CAMPEÕES ESTREANTES DE 1945
Ayrton Loureiro Afonso
Abilio Dias Filho
Anibal Ribeiro Guimarães
Adayr Costacurta
Adoniram Dezembrino Durant
Adalberto Garcia
Celio Luiz Bittencourt
Dirceu Ferraz Serri
Gilson da Costa Braga
Geraldo Castelar Pinheiro
Gustavo Alves da Costa
Guilherme Augusto Doirado Silva
Geraldo Luiz Ferreira Coelho
Haley Pacheco de Oliveira
Hans Wilhelm Krips
Ivo Estrela Campos
João Granja Vasconcelos
José Olavo Laucas
Jaime Roboton
José Simeão Corrêa da Silva
João da Rocha Machado
Mauricio Abramant Pinkusfeld
Orlando Prestes
Paulo Manoel Torres
Rodolfo Harno Paulen
Roberto Taumathurgo de Azevedo Dreux
Silvestre Brandão Padilha
Wilson Nascimento Spierr
Waldemiro Justino de Paiva
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 53 de dezembro de 1945
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Brilhante Atuação da Equipe de Remo na Regata da Temporada
Sumamente auspicioso para as nossas cores foi o resultado da 3ª Regata Oficial da temporada, realizada em 6 de junho, na enseada de Botafogo.
Há muito tempo as vitorias das provas de remo, graças ao sistema de mareação de pontos adotado na Federação, por um só e único, Clube.
No último certame fomos os maiores vitoriosos, conquistando 4 primeiros lugares, enquanto que as guarnições do nosso adversario, vencedor do certame, só em 3 oportunidades, cruzaram a meta no ponto de honra.
Foi pois magnifica a nossa atuação: 4 vitórias, das quais 3 em barcos de braçadeira, de maior classe, e para não fugir ao habito um yole a 8 de Estreantes, em que vencemos pela 3ª vez consecutiva a Prova Classica Comte. Irineu Ramos Gomes. Vencemos os out-riggers a 4 para as 3 classes: principiantes, novissimos e juniors, e no quatro de seniors os (nossos veteranos Edgard, Moacyr, Walter com o junior William, conquistaram belo 2º lugar, tanto mais valioso se considerarmos que ainda não estão na forma completa.
Estão assim de parabens a nossa direção de remo e os nossos remadores.
Um aspecto a destacar em torno das vitorias conseguidas é o da forma pela qual o foram.
Notou-se que as guarnições da estrela solitaria, mesmo o 8 de novíssimo, que perdeu a prova derradeira por bico de prôa, remaram bem, muito bem mesmo.
Já se nota que os nossos conjuntos estão adotando um padrão técnico uniforme e que muito progredirão.
Esta, observação corre por conta do técnico Heller, cuja capacidade indiscutivel, mas ás vezes teimosamente negada, já começa a fazer surtir os efeitos desejados.
Na prova classica Comte. Irineu Ramos Gomes venceu a Procyon com Mario Newton Gaivão na patronagem e os remadores: Cicero, Gilberto Silva Marçal, Luiz Francisco Alves da Cunha, Jorge Arthur Graça, Arthur Repsold Junior, Arthur Ricardo Souza Carvalho, Jesus Edson Santos Ataide e Fernando Pinto Miranda Montenegro.
Os pareos "quatro com patrão de juniors" e de novissimos foram ganhos pela mesma guarnição: Claude Courbet, Emilio Morano, Max Brando e Laia Pontes de Carvalho, patroados no parco de Junior por Adhemar Manes e no de novissimos por Paulo Souto Maior Pinto. O quatro de novissimos venceu com Manos patroando e com os remadores: Manoel Baltazar do Couto, Manoel Joaquim Gonçalves, Paulo Duarte Martins e Elpidio Chagas de Vasconcelos.
Neste pareo conquistamos um belo bronze, oferta da Escola de Educação Física do Exército.
A nota simpatica da regata foi a estreia vitoriosa do patrão Paulo Souto Maior Pinto, nosso destacado nadador e pertencente á familia já tradicional na defesa do Botafogo.
Ao Madruga, ao Keller e aos remadores e patrões, o caloroso aplauso da familia botafoguense.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 52 de agosto de 1946
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A briosa guarnição composta dos remadores: Patrão — Ademar Cecilio Manes; Voga - Claude Paul Coubert; Sota-voga Emilio Moran; Sota-prôa Max Brando; Prôa Lain Fontes de Carvalho, que perlustrando as tradições do Botafogo de Football e Regatas, obteve brilhantes vitorias nas regatas que se realisaram em 7 de julho p.p. No terceiro pareo, em que disputaram cinco barcos, a nossa guarnição, se desforrou da derrota sofrida do conjunto do C. R. Vasco da Gama, nas regatas de maio p.p.
No 1º pareo, passando de classe e concorrendo portanto com turma mais categorizada, entre 6 (seis) barcos se desforrou ainda, da derrota sofrida contra a guarnição do Vasco da Gama na 2ª regata do ano. Neste pequeno relato, se evidencia de forma cristalina o brilhante feito desse nosso “Quatro” digno por todos os motivos de ser inscrito nos anis de nossa brilhante história esportiva.
Confirmando as nossas esperanças esta valorosa guarnição, nas regatas do dia 25 de julho p.p., mais uma vez obteve para as nossas cores outra brilhante vitória, deixando assim patente, a sua superioridade técnica frente aos demais concorrentes.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 54 de outubro de 1946
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BRILHANTE desempenho da nossa equipe
No domingo, 13 de outubro, na raia da Lagoa Rodrigo de Freitas, realizou-se a regata pré-campeonato. Este certame, todos os anos, é ansiosamente aguardado por todos aqueles que admiram. o desporto remo, par ser depois do campeonato carioca o mais importante meeting da canoagem, metropolitana. Precedendo o Campeonato, esta regata constitui um verdadeiro "test" para as guarnições que cerca de 40 dias depois medirão forças na regata máxima, que encerra a temporada oficial e aponta o Campeão Carioca de Remo.
Além desses fatores, outros mais dão ao pre-campeonato uma colorido especial; entre estes destaca-se de serem disputado no transcurso do prelio náutico, várias provas clásicas das realmente importantes no calendário do remo. Nestes últimas anos, foram criados pela Federação de Remo, muitas provas classicas o que de, certo certo modo provocou o que poderiamos chamar, de acordo com a época, uma "inflação" de clássicos no remo carioca, com a consequente desvalorização dessas provas. Entretanto, algumas dessas provam, continuam a ser, pela tradição que encerram, "verdadeiramente clássicas". Como exemplo, entre estas últimas podemos citar: a Prova Clássica Pereira Passos que se disputa na regata inaugural da temporada, a Prova Clássica Prefeitura Municipal, que é corrida anualmente na 4ª regata, e as provas Clássicas Comte. Midosi e Dr. Luiz Aranha, corridas no pré-campenato.
A "Pereira Passos" constitue o prêmio para o melhor "quatro" de novíssimos, em barco de braçadeira, nos prelios do início do ano náutico.
A "Prefeitura Municipal" consagra a classe de Seniors em barco de classe — o quatro sem patrão, de manejo dificil, requerendo dos tripulantes treinamento prolongado e classe de verdadeiros veteranos.
A "Comte. Midosi" consagra no fim da temporada o melhor quatro com patrão da classe de Juniors e, não rara, aliás frequentemente, os quatro vencedores dessa importante prova conseguem conquistar o Campeonato Carioca da especialidade. Deve-se notar que as barcos de "quatro com patrão" no Campeonato Carioca geralmente são considerados "fortes", isto é, são bastante concorridos e disputados por guarnições muito bem preparadas. Isto pão impede que varias guarnições, em repetidas temporadas, tenham conseguido, um mês e meio depois, o galardão máximo.
A "Prova Luiz Aranha" corresponde a um verdadeiro campeonato da classe de Novissimos. Remada pelos remadores dessa, classe, no barco de mais difícil preparo — o "out-rigger a 8 remos" — ela constitue um test para o remador e seus treinadores. Quais os melhores remadores e quais os melhores treinados e preparados. Além dessas provas que por si só conferem à regata pré-campeonato, devemos esclarecer que nesse certame todos os pareos são disputados em barcos de braçadeira, não havendo, pareos de yole-franche. Trata-se pois de uma regata de "quali-dade", constando de seu programa todas as provas da regata olímpica.
Neste prelio foi brilhantissimo o desempenho da equipe do nosso Clube, que na última semana foi desfalcada de mais dois conjuntos, que certamente iriam vibrar de acôrdo com o diapasão geral. Com efeito exatamente na semana da regata, cairam,enfermos Werner Krauss o nosso admirado atleta-remador, voga do "dois com patrão" de Juniors e Mario Silva Araujo, voga do "double" também da classe de juniors.
Estes dois barcos, especialmente o "dois com patrão", teriam certamente, destacada atuação.
Quatro foram as nossas vitórias, obtidas todas de forma categórica e sensacional, sendo que uma delas vale duas, sem favor nenhum, — a obtida na quatro com patrão de Seniors — conquistada na ponta e na dupla" peIas nossas guarnições A e B, conforme veremos adiante.
A primeira vitória da manhã, foi conquistada no pareo de Skiff trincado vara Principiantes, por intermédio de Luiz Matarazzo Filho, tripulando o barco RIGEL. O sensacionalismo e importancia das 3 outras vitórias não deve diminuir o feito de Matarazzo, aparentemente modesto, pelo que esta vitória sugere e inspira para um futuro próximo. Este jovem remador ia a raia pela terceira vez e a forma pela qual venceu não deixa a menor dúvida que, se está formando, sob a competente e vigilante orientação de Keller, todo um "senhor sculler". A primeira vitória é o estímulo; sabendo como se sabe que Matarazzo é de exemplar dedicação ao seu clube, para breve estamos certos nos dará êle, novas e assinaladas satisfações.
A segunda vitória a obtivemos, na "Prova Clássica Midosi" cuja importancia já foi suficientemente comentada linhas acima. Este grande triunfo nos foi proporcionado pelo nosso "infernal" quatro com patrão com patrão de Juniores que assim venceu pela quarta vez consecutiva em três regatas. Correram no "Via Lactea" com Ademar Manes, o seu patrão habitual e assim formados: — voga: Claude Paul Courbet; sota-voga: Emilio Marano; sota-prôa: Max Brando; prôa: Lain Pontes de Carvalho. Este "quatro de ouro", legitima prata da casa, havia de nos dar, na mesma regata momentos depois uma outra profunda satisfação. Nessa "Midosi" saibam bem, remaram na técnica e nos quinhentos metros finais despediram tranquilamente os adversários, vencendo com a firmeza de verdadeiros triunfadores.
A terceira vitória ocorreu no quatro com patrão de Seniors. Disputaram o pareo a nossa guarnição A, com: Paulo Souto Maior Pinto, patrão; Samuel Scheinberg, voga; Moacyr de Almeida (o velho) na sota-voga; Walter Hugo Frota na sota- prôa, e Alexandre Nader na prôa; a nossa guarnição B, a mesma que momentos antes havia conquistado a "Comte. Midosi” quatro de Seniors do Flamengo, tripulado pelos melhores remadores do rubro-negro o quatro com patrão de Seniors do Vasco da Gama, guarnição campeã Sul-americana do ano, passado, e a guarnição B do Vasco da Gama, segunda colocada na Classica Midosi. Keller depositava grande confiança no nosso quatro que iria se submeter a uma verdadeira prova de fogo já que ia enfrentar o quatro campeão sul-americano, considerado invencivel. Mas o excelente preparo técnico e físico levou a melhor, laureando-se os nossos rapazes que deram uma verdadeira exibição de como se deve remar. Nesse pareo surgiu a grande surpresa: a nossa guarnição B reagindo ferozmente no final conseguiu formar "a dupla da casa", causando pasmo e surpresa na assistência. Os Juniors do Botafogo "também" derrotaram os Seniors dos outros, inclusive os Campeões Sul-Americanos! Isto encerra algo que deve ser comentado; êste feito se alicerça na verdadeira técnica, que em remo é a base de tudo, ou melhor não só em remo, mas de modo geral no desporto.
Este segundo lugar de Manes, Claude, Morano, Max e Lain, tem positivamente valor moral da sua quinta vitória consecutiva. Quanto a atuação do quatro de Seniors vencedor, só podemos dizer que dentro nova orientação técnica da Secção de Remo, Samuel, Moacyr, Walter e Alexandre encontraram-se, a si próprios. Certamente, ainda têm algo a progredir e por certo progredirão.
Encerrando o programa tivemos a disputa da "Clássica Luiz Aranha" cuja conquista, por razões óbvias, vinhamos perseguindo há 6 anos sem conseguir vence-la. Duas vezes perdemô-la por "bico de prôa" e varias outras por pequena diferença.
No presente ano Keller pôs toda sua competencia a serviço da causa e seguiu formar, com a "garotada nova" um possante "8" que, técnicamente pode ser considerado o melhor já aparecido na classe de Novíssimos. Estava constituido por Mario Newton Du Pin Galvão no leme, com Gustavo Alvas da Costa, voga; Elcio Perrico, sota-voga; Fernando Puritas contra-voga; Tulio Alencar Araripe no centro; Newton Valente Mello e Silva no 2º centro; Renato Borges da Fonseca contra-proa; Guilherme do Eirado Silva na sota-prôa e Dalmo Eirado Silva na proa. A corrida deste conjunto foi um espetáculo brilhante de técnica. Dada a saída destacou-se paulatinamente, nos 1.000 metros, tinha a vantagem de 1 barco que na chegada dilatou-se para 1 1/2 barco, sem maior esfôrço dos nossos rapazes. Não digam os nossos adversários que o tempo foi mau; venceu o "8" de Novíssimos do Botafogo em ótimo tempo. A passagem dos 1000 metros em 3,08" e o total de 6’29” poucas vezes tem sido conseguido por guarnições da classe Seniors! Este tempo poderia sem duvida, em caso de necessidade, ser algo abreviado. Foi a última, a grande, a satisfação de encerramento: ver o "8" de Novissimos deslizar com técnica irrepreensível, sem impressão de fôrça mas num alto rendimento e à voz de “alto” na chegada ,levantar os remos e entrar na meta, perfeitamente equilibrado, certo e uniforme!
Comentadas as sensacionais vitórias devemos palavras de estímulo e entusiasmo aos que sem conseguir a vitória lutaram por ela com denodo, marcando pontos para o nosso "score". Assim os parabens do Botafogo ao "quatro sem patrão" com Edgard, Caldeira, Eliezer e Helar que foi a raia ainda sem completa forma, para preparar-se para as futuras lutas e aumentar o nosso cômputo de pontos; parabens a Henry Norbert e Enoy Borges Teixeira pelo brilhante segundo lugar alcançado; bravos aos "gigs" de quatro de Novissimos, de Carrilho e Mareschy que disputaram bem o seu pareo, e uma palavra especial de estímulo a Hans Glein e Thomaz (Big) Burle, que contra a espectativa geral, pelo pequeno período de treino que puderam ter, ,excederam-se a si próprios quase vencendo. Relatada em linhas gerais a brilhante figura da nossa equipe, resta-nos : elogio do maior responsavel pelo preparo dos nossos rapazes: o técnico Rudolf Keller. Já é, por demais conhecida a sua competencia e a sua arte no preparo idos nossos remadores; nessa regata porém conseguiu vitórias de exceção: O desempenho dos dois "quatro" o de "Seniors" e o de "Juniors" e, principalmente o desempenho do "8" de Novissimos são consagratórios. É necessário assinalar estes feitos porque Keller, como todo valor destacado, tem seus detratores, poucos é certo, mas que de qualquer forma o combatem. Por isso devemos assinalar com veemência o triunfo dos seus princípios conhecimentos, como o fazia a torcida botafoguense nas margens da Lagoa Rodrigo de Freitas na luminosa manhã de 13 de outubro. O elogio merecido jamais deve ser negado. Vimos velhos botafoguenses, ex-remadores e adeptos vibrarem com as nossas vitórias. A chegada do "oito" de Novíssimos emocionou até às lágrimas, como as vimos nos olhos de Mário Ferreira, êste velho e tradicional botafoguense, que no seu tempo encheu de glórias o nosso pavilhão. Ao professor pois o nosso "bravo"!
Ao Tasso Moreira e Madruga dedicados diretores os parabens pelos esforços que dispenderarn na administração da Secção e que possibilitou tão, empolgante desempenho do competente técnico e valorosos remadores!
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 55 de novembro de 1946
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A Regata Inaugural da Temporada. Os Nossos Remadores Brilharam
No dia 20 de abril realizou-se a primeira regata da temporada oficial da Federação Metropolitana de Remo. O certamen desenrolou-se debaixo de violento temporal de chuva e vento, e teve o seu lado técnico prejudicado por essa circunstancia. Entretanto, embora as nossas guarnições, pelo seu tipo de remada, fossem as mais prejudicadas pelas aguas encrespadas, os nossos remadores tiveram um brilhante desempenho evidenciando que a Secção de Remo, sob a orientação competente de Keller experimenta uma fase de grande progresso. Corremos em 13 pares com 45 remadores, tendo o Botafogo conquistado: 3 primeiros lugares, 4 segundos lugares e 1 terceiro. Devemos assinalar que o nosso double schull chegou à méta em segundo lugar, havendo sido desclassificado por não ter sido seguro à saída, o que era naquele momento impossivel devido ao forte vento que soprava. Acresce que Diderot Turon e Mario Silva Araujo os seus tripulantes, momentos antes do parco, tiveram que cair na água à saída, em virtude de se ter enchido o bárco. Tiritando de frio, levaram o barco até uma lancha que estava próxima, viraram o barca para retirar a agua e novamente embarcaram ainda a tempo de correr o que fizeram em inferioridade de condições.
Das nossas três vitorias duas foram sensacionais e em provas de grande importancia. A vitoria na prova classica Pereira Passos e a da prova classica Getulio Vargas. A prova classica Pereira Passos é uma das mais antigas e tradicionais do remo carioca; foi instituida em 1913 e este asno foi vencida pelo Botafogo pela oitava vez. Deu-nos essa vitória a nossa excelente guarnição de "quatro" que todos nós já nos habituamtos a ver arrancar fulminantemente nos 200 metros finais — o Claude, o Morand, o Max e o Lain, com o Manes na patroagem, como habitualmente. Correram no padrão habitual: luta, luta e mais luta, até quebrar o adversário, o que geralmente conseguem 300 a 200 metros antes da méta onde Claude vira, e vira como poucos?...
Este "quatro do Lain" como é geralmente conhecido na garage, na rampa e pelos que torcem pelo Botafogo nas pugnas náuticas, está destinado a nos dar grandes satisfações!...
A outra vitória de classe conseguimo-la na prova classica Getulio Vargas, que instituida por Carlos Martins da Rocha quando presidente da F.M.R., em 1943, ainda não teve outro vencedor. Nos cinco anos de sua disputa vencemo-la cinco vezes consecutivas. A "Procyon" tem sido imbativel e o Botafogo, invicto e detentor absoluto do lindo troféu que há cinco anos está em casa e nunca passou por outras mãos. O "oito" que o venceu este ano está sendo preparado para o futuro e venceu com firmeza e com luz. Correu na Procyon como de habito e sob a patroagem de Adhemar Manes. Na vóga Raul Gonçalves Soares, sota voga — Tulio Alencar Araripe contra-voga - Nelson Ferreira da Silva, 1º centro — Oscar Mauricio Ventura 2º centro — Indalecio Ferreira Alves, contra-prôa — Geraldo F. Coelho, sota-prõa Newton Valente Meia e Silva e na prõa — um estreante —Roberto Salgado Ferreira, que se portou como um novissimo de classe.
A terceira vitória foi um "bis” 4 "quatro do Lain" -- o mesmo com Manes, Claude, Morand, Max e o Lain, que dobrando, levou de vencida o "quatro de juniors", com relativa facilidade. Da regata sobrou-nos uma magua: a derrota do "oito" estreante, que, na verdade, não podia perder, dado o excelente preparo que ostentava. Entretanto foi a nossa jovem guarnição sacrificada por uma saída dada em mau momento quando o barco botafoguense ainda não estava preparado e que saiu com grande desvantagem. Não obstante e ainda assim, tendo sido prejudicado pelo “oito" do Guanabara no percurso, os nossos estreantes demonstraram serem dignos de vestirem a camisa do Botafogo. Com fibra e valentia ainda conseguiram 2º lugar. Esta corrida foi verdadeiramente dramática, valendo o 2º lugar do nosso oito de estreantes como uma verdadeira vitória. Estamos certos, que os nossos rapazes dêste barco breve, muito breve mesmo encontrarão o caminho da fórra. Pode-mos, no Botafogo, esperar muitos feitos dessa geração de estreantes; fibra, valentia e dedicação ao Botafogo, eles têm. Estava assim constituida a nossa guarnição: Patrão — Mario Newton du Pin Galvão; remadores — Geraldo Pereira Lopes, Vicente Thomaz, Renato Brando, Nelson José Felippe, Simão, Nicola Simão, Murillo Souto Maior de Castro, Oswaldo Santos e Reinaldo Santos. A estes, pois, um "hurrah" pela vitória moral conseguida. Os nossos barcos classificados em segundo lugar, foram: a yole de 4 de principiantes com Geraldo Carrilho patrão, Sylvestre Brandão Padilha. Ciceiro Nascimento Ribeiro, Eugenio Morand e Jorge Arthur Graça; o out-rigger a 2 do juniors, com Nelson Ferreira da Silva e Oscar Mauricio Verdura, dobrando após o oito; e o quatro de Seniors com Raul Gonçalves Soares, Tullio Alencar Araripe, Nilton Valente Melo e Silva e Geraldo F. Coelho. O resultado da primeira regata evidenciou o progresso da nossa secção nautica e também a eficiência do preparo do competente e consagrado treinador Rudolf Reler, que, em boa hora, ingressou em nosso clube. Temos, pois, em vista dos primeiros resultados, boas razões para esperar da Secção de Remo uma grande atuação em 1947.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 60 de maio de 1947
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"Yole-gig" a quatro com patrão. Vencedor prová clássicaPereira Passos. Na tripulação, como voga, o futuro Ministro da Indústria e Comércio e Governador de São Paulo, Paulo Egydio Martins, como patrão Gilberto Huie de Azevedo, sota-voga, contra-proa e proa, respectivamente, Clober Malinverno, Ercio Perocco e Gustavo Alves da Costa.
Fonte: Livro Botafogo O Glorioso
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REMO
O nosso querido Presidente Carlos Martins da Rocha, que é também o Presidente da Confederação Sul-Americana de Remo, da viajou em 31 de março último, para Montevidéu, onde foi presidir as atividades do certame continental e o respectivo Congresso.
Carlito levou em sua companhia o nosso diretor de regatas, o benemerito J. A. Nova Monteiro, regressando ambos, a 6 de abril, entusiasmados com o desenrolar do campeonato, onde fizeram as importantes observações de ordem técnica.
Aliás, o nosso Presidente, decididamente apoiado pelo grande-benemerito Sergio Darcy, patrono do remo no Botafogo e pelos diretores Tasso Moreira e Nova Monteiro, está decidido a dar ao remo botafoguense o maior incremento possivel, tendo, inicialmente, resolvido adquirir uma flotilha completa, para o que já solicitou à Inglaterra, Alemanha e Argentina, os respectivos orçamentos.
É interessante recordar, ainda, que Carlos Martins da Rocha foi, como atléta, uma das maiores expressões do remo nacional onde levantou o campeonato carioca do remador em 1916 e 17, e os campeonatos carioca, brasileiro e sul-americano do remo de 1922, nos jogos do Centenário, contando-se entre as suas maiores vitórias, a que obteve em 1918 sabre a invencivel "Ibis", do Vasco da Gama.
"EM MENOS DE DOZE ANOS O NIVEL TECNICO DO REMO EVOLUIU EXTRAORDINARIAMENTE"
É a impressão do técnico Rudolf que concedeu ao "Correio da Manhã" interessante entrevista.
Encontramos o nosso entrevistado no Botafogo, em seu trabalho para selecionar as guarnições que intervirão na primeira regata deste ano. A nossa primeira pergunta a respeito do que achava do atua nivel técnico de remo, no Brasil, expressou-se da seguinte forma: — Inegavelmente o nível técnico de remo, alcançou no Brasil um ponto bem elevado, colocando-a à altura da maioria dos países que praticam este esporte a mais tempo. Esta evolução, entretanto, não tem de doze anos. Lembro-me de que, quando aqui cheguei em 1935, o remo era considerado um esporte unicamente de força bruta. O preparo racional como base cientifica, provando que, além da saude física, o homem precisava também do intelecto para alcançar grandes feitos; mais ainda, o desenvolvimento físico e o estado de saude dos atletas bem dirigidos e, finalmente, a educação moral e disciplinadora, atrairam novos circulos para a remo, levantando assim, o nível dos que o praticavam e, pela melhor compreensão, também os efeitos: os resultados. Como prova indireta do que digo, citarei os fichários médicos dos remadores bem dirigidos. Prova direta: no Campeonato Carioca de 1946, tinhamos no Rio, quatro guarnições de quatro com patrão, cujas velocidades regulavam, em raia normal, de 7 minutos até 7 minutos e 5 segundos. Outra observação, e esta aqui no Rio: os três primeiros colocados no Campeonato Carioca do ano passado, Vasco, Flamengo e Botafogo, na forma em que se apresentaram, seriam capazes, qualquer um deles, de ganhar o Campeonato Brasileiro, recentemente disputado, mas, que, por acidente havido, não o pôde fazer o Vasco.
— Vê probabilidades, Keller, de se fazer ótimos remadores no Brasil? - O brasileiro, por temperamento e agilidade, tem todos os predicados de se tornar um grande remador. Fazendo uma rigorosa seleção física e moral (o que não será difícil) ensinando aos rapazes o amor pelo remo; educando o espírito esportivo de cada um; dando tempo para que os treinadores se esmerem no preparo das guarnições e, finalmente, possibilitando as competições internacionais, os ótimos remadores aparecerão, tenho certeza! Não só um ótimo remador teremos, mais um homem completo que servirá para que se lembre sempre, a tão conhecida frase de Olavo Bilac: "Dia virá em que se há de reconhecer a grandeza dos serviços que os clubes de regatas estão prestando ao Brasil". Para se ter ótimos remadores, é necessário que os atletas tenham instrução, boa compreensão da alma e da personalidade e sejam orgulho-os dos seus papéis de amadores. Também a imprensa precisa ajudar aos remadores na sua formação, incentivando-os, sempre que possível, no árduo caminho a percorrer, pois qual é o esporte que exige tanto sacrifício e abnegação como o remo?
Estávamos ansiosos para entrar no assunto referente a tão discutida remada empregada para seus remadores. Para esquentar a questão, perguntamos a Keller o que achava das remadas empregadas no Brasil.
— Tenho a impressão, modéstia à parte, respondeu-nos, de que com a minha chegada ao Brasil, iniciou-se a introdução de uma remada padronizada. Até então, cada guarnição apresentava uma forma particular de remar. Quanto à questão do estilo, é um tema muito vasto que daria para encher páginas e mais páginas de um livro. Em muitos Estados, a minha técnica foi aos poucos sendo adaptada; na Bahia, por Mário Brito; no Espirito Santo, por Wilson de Freitas; em São Paulo, por Celestino Palma, naturalmente aqui no Rio, pelo convívio. O desenvolvimento desta técnica, varia com as pessoas que a empregam. Assim, para as remadas muitas vezes diferentes, embora sejam tôdas baseadas na me idéia. É natural que a minha remada seja considerada por mim a mais eficiente.Provo também! Ela é racional e rende muito. Quanto à remada "Ortodoxa" desapareceu quase por completo. Um outro saudosista a emprega por capricho e nada mais. É bem verdade que a remada empregada no Rio Grande do Sul, em São Paulo e aqui no Rio, no Guanabara, tem uma mistura de "Ortodoxa" e Fairbairn", mas a clássica "Ortodoxa já desapareceu. Um exemplo da remada moderna, é o poito do Vasco, aqui no Paulo Diebold e Percio Zancani, no Grande do Sul; Nuno Valente, em São Paulo e mais alguns que não citarei para não me prolongar. Mas pode o amigo ficar certo de que, a nova técnica, cansa menos do que a empregada antigamente pois é empregada num sistema lógico de mecanica. Quanto ao cansaço, é geralmente questão do preparo. Mal preparado, qualquer movimento é demasiado ao remador. Um exemplo de que a técnica nova apresenta um rendimento maior, está quatro com patrão treinado por mim em 1936, e que foi às Olimpiadas. Perdeu eliminatória por 1" para a Holanda, deixando quatro nações européias atrás de si. Isto, com somente seis meses de treinamento, quando eu sentia a grande dificuldade de falar o português e numa época de revolução na técnica do remo. Uma coisa, porém, não se deve nunca esquecer: não se pode fazer render a nova remada em um mês ou num ano somente. É necessário um longo periodo de treinamento, onde sobre tempo, dedicação e entusiasmo. Muitos afirmam que minha remada é cruel. Penso que o remador afirma isto, embora sem saber, está trabalhando contra mim. Seu subconsciente acostumado a brutalidade, só pensa em fazer força e, por mais que eu tente vencê-lo, nunca faz o que eu mando. Repito, portanto, a remada moderna, foi criada para tornar menos trabalhoso o andamento do barco e, a principal, finalidade torná-lo mais rápido.
Queríamos saber o que Keller achava do Campeonato Sul-America, e perguntamos qual o mais sério concorrente ao título de campeão, na sua opinião.
- Acho os três centros sul-americanos: Brasil, Argentina e Uruguai, com a mesma chance. Fala-se muito da Argentina e, sem dúvida, possuem êles uma organização rigida e o, esporte vive nos últimos anos ali, um grande desenvolvimento. E também o Uruguai tem guarnições de valor internacional, com capacidade de fazer boa figura. Mas acho que, se o "0ito" brasileiro repetir a façanha do campeonato passado, o Brasil pode muito bem sagrar-se campeão.
— Dos conjuntos brasileiros, qual o que julga com mais chance? — Sem dúvida, a guarnição de "dois" gaúcha. Remada desembaraçada, muita fibra, força física, domínio de barco e naturalidade de movimentos. Um grande conjunto! Acho que vão ganhar outra vez as páreos de 2 s/ e 2 c/ patrão.
— Acha que o Brasil vai ao Sul-Americano com o que possui de melhor?
— Não. O quatro com patrão do Campeonato Carioca do ano passado, foi tem dúvida melhor do que o que vai representar o Brasil no Uruguai. O mesmo se passa com o quatro sem patrão e ainda o "oito" "double" paulista tem também um grande futuro. Pode ser que agora ainda não, mas também não poderiamos mandar um conjunto melhor. "
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 68 de maio de 1948
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TRES GRANDÊS VITÓRIAS NA REGATA INAUGURAL BOTAFOGO CAMPEÃO DE ESTREANTES
Três vitorias de grande expressão conquistou a nossa equipe de remo na regata inaugural da temporada de 1948, que se realizou sob os auspícios da Federação Metropolitana de Remo a 9 de Maio ultimo alas enseada de Botafogo. Foram três vitorias maiusculas pela qualidade dos pareos que conquistamos: a Prova Clássica Pereira Passos, a Prova Clássica Getulio Vargas e o Campeonato Carioca da Classe de Estreantes.
A Prova Clássica Pereira Passos é uma das mais tradicionais do remo carioca, uma vez que, vem sendo disputada regularmente desde 1913 quando foi corrida pela primeira vez. Botafogo é o maior vencedor tendo conquistado com a vitória de 9 de maio o nono sucesso e segundo consecutivo; tivemos desta feita como adversaria um valoroso "quadro" do Vasco da Gama que foi entretanto nitidamente batido pelo CANOPUS, cuja guarnição estava assim formada: voga: Paulo Egidio Martins; sota-voga: Ercio Perocco; sota-prôa: Clober Malinverno e prôa; Gustavo Alves da Costa. Como timoneiro correu Gilberto Hue de Azevedo que transferindo-se do C. R. Flamengo para o Botafogo estreou vitoriosamente na defesa das nossas cores. O nosso quatro desempenhou-se brilhantemente e demonstrando elevado padrão técnico venceu de um a outro extremo. A nota simpatica da vitória na Pereira Passos foi a estréa na voga de Paulo Egidio Martins que ocupou a posição onde seu tio, Carlos Toussaint Gomes Martins, colheu outróra repetidos e grandes sucessos nas raias metropolitanas. Grande foi portanto a alegria de Toussaint Martins, hoje nosso benemerito ao ver o seu jovem sobrinho mantendo a tradição botafoguense defender e levar ao mastro da vitória aquela camisa da estrela que ele outróra tanto glorificou! A nossa segunda vitória — conquista do CAMPEONATO DE ESTREANTES parco máximo do certamen, foi uma excelente resposta á maldizente que propalam não se interessar o Botafogo pela renovação de valores. Foi um pareo duríssimo e extraordinariamente emocionante pois a 100 metros da linha de sentença era impossível prever a vitória de qualquer um dos nove concurrente. Mas na arrancada final os nossos jovens estreantes vigorosamente estimulados pelo grande timoneiro que é Adhemar Manes, reagiram numa infernal demonstração de fibra e cruzaram a meta com 1/2 barco sobre o Guanabara que foi o 2º colocado. Foi uma grande exibição de técnica e fibra, e si grandes aplausos merecem os nossos jovens remadores, também os merece o nosso técnico Rudolf Keller especialista no preparo dos barcos de oito, pela forma que conseguiu imprimir a nossa guarnição. Estava assim constituído o nosso conjunto: Patrão - Adhemar Cecilio Manes; voga: Sviatoslav Gorelkin; sota vóga: José Pedroso da Silveira; contra-voga: Ronald Theodor van Bybrotk; 1º centro: José Carlos Falarios Kruel; 2º centro: João Jeronymo Albuquerque Filho; contra-próa: Humberto Machado; sota-proa; Alberto Boyadjan; e proa: Guilherme Eugenio Vidal.
Estes oito rapazes têm sem duvida um grande futuro no remo metropolitano, e para que este futuro se torne como todos desejamos uma realidade, é mistér continuarem dedicados aos treinos, á gloriosa bandeira botafoguense e ás ordens competentes do seu técnico o que, estamos certos, sucederá.
A Prova clássica Getulio Vargas, pode-se dizer que talvez por ter sido instituida pelo nosso atual Presidente quando da sua luminosa passagem pela direção da F.M.R. , mantem com o Botafogo afinidades especiais.
Instituida em 1943 foi neste ano conquistada pelo Botafogo e dai até hoje não teve outro vencedor; 43, 44, 45, 46, 47 e 48... seis vezes consecutivas, cabe ao Botafogo a vitoria na Prova Clássica Getulio Vargas, não obstante as repetidas tentativas feitas pelos nossos adversários para interromperem a serie... Desta feita é verdade que tivemos fortes opositores na guarnição do C. R. São Cristovão, um valoroso conjunto que vendeu caro a derrota, mas, a serie não foi interrompida.... Vencemos com a PROCYON tripulada por Raul Soares patrão: Clober Malinverno - vóga; Ercio Perocco sotaprôa, Pulo Egydio Martins contravoga; Indialecio Ferreira Alves 1º centro; Hans Glein – 1º centro; Ely Castro Canetti -centra prôa; Manoel Baltazar do Couto sota-próa e Gustavo Alves da Costa proa.
A nossa vitória verificou-se de ponta a ponta; a princípio foi o nosso conjunto seguido pelos guanabarinos e vascainos; quebrada a tempera dê ambos apresentou-se o conjunto do Natação que tambem foi posto feira de combate surgindo no final o São Cristovão em forte arremetida contida com grande classe pelo nosso conjunto.
No computo final das vitorias ficamos em segunda lugar precedidos pelo Vasco da Gama que conquistou 5 vitórias mas, as vitorias nas provas mais importantes é o reflexo da especie de remo que se pratica no Botafogo — qualilade e técnica. Os nossos remadores vitoriosos e os demais que deram seu esforço pelo Botafogo foram cumprimentados pelo Presidente Carlito Rocha que assistiu todo certamen em companhia do Dr. Sergio Darcy patrono da Seção de Remo.
Terminada a regata as vitorias classicas e o campeonato foram brindados om uma taça de champagne no bar do Departamento Nautico usando da palavra na ocasião o Dr. Sergio Darcy e o Dr. Nova Monteiro nosso diretor de Remo. Teve assim a nossa equipe de remo uma estréa auspiciosa na temporada de 1948, com uma brilhante atuação que será certamente confirmada nas regatas
AS PROXIMAS REGATAS
Dois sérios compromissos enfrentará nossa equipe de remo no próximo mes de junho. A 13 de junho disputaremos a Prova Clássica Riachuelo, em 3.000 metros de distancia e em Yoles a 8 para a classe de novíssimos. A 27 de junho teremos a disputa da regata oficial da temporada, no Saco e São Francisco, cujo programa tem como pontos de sensação a disputa do CAMPEONATO DE PRINCIPIANTES, e as CLÁSSICAS MIDOSI e GUSTAVO MERKER.
Por Motivos de ordem técnica e dos interesses da equipe, seremos provavelmente representados na P. Riachuelo por uma guarnição de princpiantes, formada com base-no 8 vencedor do Campeonato de Estreantes. Este "oito" muito futuroso passará por uma prova de fogo enquanto que o "oito" vencedor -da Getulio Vargas continuará o seu preparo de fundo para os. 2.000 metros da Gustavo Merker que vencemos facilmente em 1947. Teremos assim oportunidade de vêr como se vão comportar numa prova sensivelmente mais aspera a "garotada" campeã de estreantes.
Na clássica Midosi seremos representados por um quatro no qual depositamos grandes esperanças para futuras conquistas — o quatro de Juniors formado por Laercio Soares Leite, Oscar Ventura, Max Brando e Lain Pontes de Carvalho, remadores que já nos tem proporcionado grandes satisfações.
Este conjunto si bem que derrotado em 9 de maio cumpriu bôa performance deixando perceber claramente uma grande tendencia e melhorar. Na regata de junho também deverá estrear na defesa do Botafogo o grande sculler Francico Silva, que disputará o skiff de Seniors, "Chhico" está-se preparando com muito entusiasmo.
ENCOMENDADA UMA FLOTILHA COMPLETA NA INGLATERRA
Nos ultimas dias de abril p. passado chegaram a bom termo as negociações entaboladas pela Diretoria com o Sr. F. Schayer representante no Brasil do famoso construtor inglês de barcos de corrida George Sims, de Putney, Inglaterra, para a compra de uma flotilha completa de barco "shell".
Já estão encomendados portanto á Sims and Sons, 1 skiff, 1 double skiff, 1 dois com patrão, 1 dois sem patrão, 1 quatro com patrão, 1 quatro sem patrão e um "oito", que deverão chegar ao Rio de Janeiro em outubro p. futuro, a temdo portanto de correrem no Campeonato Carioca que será realizado a 7 de novembro. Esta vultosa compra de material é testemunho seguro do interesse e carinho dispensados pela Diretoria e especialmente pelo Presidente Carlito Rocha Secção de Remo, de tantas tradições gloriosas no seio do Botafogo.
A aquisição dos sete barcos custará cerca, 1.500 libras esterlinas. Todos os barcos virão acompanhados de remos tubulares especiais de corrida, sendo que o estaleiro SIMS AND SONS é dos mais famosos mundialmente falando.
Aliás possue o Botafogo dois barcos construidos pelos famosos estaleiros: o double TUBAN e o dois sem patrão TAURUS, que não obstante terem sido adquiridos em 1933 ainda prestam, 15 anos depois, relevantes serviços á nossa equipe de remo. A aquisição da nova flotilha despertou grande entusiasmo no seio dos nossos remadores, que esperam no decorrer do ano responderem integralmente ao decidido apoio que estão recebendo do nosso Presidente e da Diretoria.
VAMOS REMAR!!!
É desejo da Diretoria dar à Secção de Remo, nesta temporada de 1948, o maior desenvolvimento possível, de modo que possa o Botafogo ocupar o lugar de destaque que lhe cabe no cenário do remo metropolitano. Com essa orientação é do maior interêsse para o Clube pugnar por uma intensa renovação de valores, atraindo para as lides nauticas a juventude botafoguense, tão sadia, entusiastica e leal ao Clube. Objetivando a tão desejada renovação de valôres, decidiu a Direção de Ramo, por inspiração direta do Sr. Presidente, realizar regatas intimas, na qual tomarão parte todos os remadores do Botafogo e todos os socios que desejarem remar. Haverá pareos especiais para novos remadores que terão ensejo, deste modo, de ingressarem no salutar desporto. Solicita, assim, a Direção Técnica de Remo, que todos os que desejarem tomar parte nos referidos certamens, o obsequio dá procurarem, na garage do Mourisco, o Diretor ou o Técnico de Remo, a fim de serem incluídos entre os disputantes das provas. Serão oferecidos valiosos prêmios aos vencedores.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 69 de junho de 1948
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FEITO MERITÓRIO
Entretanto, frequentemente um pe-dedor pela maneira de perder, torna-se um verdadeiro vitorioso, realizando o ideal puro do desporto: o essencial é competir, vencendo ou perdendo.
Estas ligeiras e despretenciosas reflexões surgem a propósito da Prova Classica Riachuelo, que a Federação Metropolitana de Remo fez disputar pela primeira vez, a 13 de Junho, na distancia de 5.000 metros.
Como foi noticiado no boletim anterior representou o Botafogo uma guarnição muito nova, que ia à raia pela segunda vez, sendo que na estréa, em maio, havia conquistado o Campeonato de Estreantes.
Tivemos 9 adversários e numa dessas guarnições figuraram remadores que já haviam participado do Campeonato Brasileiro de Remo realizado em Fevereiro na Lagôa.
Não obstante a sua inexperiência o nosso conjunto portou-se com grande brilhantismo, lutou bravamente com adversários muito mais experimentados, e no final conquistou um excelente 3º lugar, num feito verdadeiramente meritório.
Não vencemos, é verdade, mas podem os nossos rapazes considerarem-se verdadeiramente vitoriosos, já que o 3º posto conseguido, representa, pelas circunstâncias em que foi obtido, uma verdadeira vitória.
Exibiram os nossos remadores excelente preparo, remaram com bôa técnica e, como sempre, portaram-se como dignos desportistas.
A "Procyon" correu com a seguinte tripulação: Adhemar Manes, patrão; Sviatoslav Goretkin, voga; José Pedroso da Silveira, José Carlos Palacios Kruel, Ronald Theodor van Rybrock, Bruno Ferreira Gomes, Nelson José Felipe, Alberto Boyadjan e Eugênio Morand.
A Prova Riachuelo foi ganha pela Vasco da Gama secundado pelo Flamengo, e foi nitidamente observado durante o seu desenrolar, que um veteraníssimo cronista desportivo, rubro-negro doente, torceu loucamente pelo nosso conjunto, perguntando durante toda a prova: "Será que êles DÃO "virada" na chegada?"
PEQUENAS NOTICIAS
1. Não tendo ainda chegado ao Rio o novo skiff do Botafogo e devido à grande gentileza e espírito desportivo de Arnaldo Costa, diretor do Remo do nosso co-irmão amigo C. R. Flamengo, "Chico" Silva, o nosso grande sculer, estreou na regata passada no barco Unapiram, que é melhor skiff do rubro-negro. Ao Arnaldo, que nosso sócio proprietário também é um pouco "alvi-negro" estreou em remo defendendo o Botafogo os nossos agradecimentos.
2. A 15 de Agôsto realizarse-à na raia Botafogo a 4ª regata da temporada, sob o patrocínio do Vasco da Gama, que comemorará o seu cincoentenário. Do programa consta a P. C. Iríneu Ramos Gomes que, instituida em 1944 nas quatro vezes que foi disputada teve o Botafogo como vencedor.
3. O Botafogo é o maior vencedor da tradicional Prova Clássica Pereira Passos, da classe de novíssimos. Nada menos de nove vezes tremulou a nossa bandeira no mastro de vitórias nessa prova.
NOTICIAS SOCIAIS DO REMO
O mês de Junho marcou três datas festivas para o corpo de remadores do Botafogo, assinaladas pelos matrimónios dos nossos caros defensores Jorge Alberto Muniz, Elmar Paixão de Moraes e Sviatoslav Goretkin. Os dois primeiros já quasi veteranos no remo e o terceiro um futurosissimo atleta, são elementos dos mais estimados na nossa garage, de modo que muitos foram os abraços que receberam dos seus companheiros. Goretkin quasi não interrompeu o treinamento, tendo resolvido o problema com muita habilidade... enquanto êle dá a voga ao nosso exemplar "oito" de principiantes a senhora Goretkin exercita-se nas águas da piscina em amplas braçadas de "crawl".
A Muniz, Elmar e Goretkin e excelentíssimas senhoras o Botafogo deseja as maiores venturas.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 70 de julho de 1948
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NOVOS EMÉRITOS
Em sua última reunião, realizada a 8 de setembro p. p., sob a firme e esclarecida presidência do Dr. Paulo Lyra que teve como secretarios os Drs. Luiz Carlos de Oliveira e Alceu de Oliveira Castro, o egregio Conselho Deliberativo, sancionou unanimemente as propostas do Presidente Carlos Martins da Rocha, premiando a dedicação e o brilho de dois de nossos mais denodados defensores: Margarida Tereza Nunes Leite e Samuel Scheinberg, vencedores em várias modalidades de desportos, concedendo-lhes o honroso titulo de Emerito.
SAMUEL SCHE1NBERG
Samuel Scheinberg é outro grande atleta que tem honrado o pavilhão da "estrela solitária" em varios setores, fazendo jus à emerencia pelas suas retumbantes vitórias. E é com a maior satisfação que aqui estampamos a informação do departamento técnico com a sua "folha corrida":
1 — O amador Samuel Scheinberg é atleta das secções de Water-polo e Remo.
2 — No Water-polo foi: Campeão da Cidade do Rio de Janeiro nos anos de 1943, 1944 e 1946. Integrou a nossa equipe principal nestes três campeonatos vencidos pelo Botafogo, tendo tornado parte em mais de 2/3 dos jogos.
3 — No Remo, tem tomado parte em varias regatas tendo obtido os seguintes resultados: Correu 17 vezes. Obteve 9 primeiros lugares, 5 segundos e 1 terceiro lugar. Entre as vitórias contam-se as provas classicas: Prova Classica Getulio Vargas. Prova Classica Gustavo Merker. Prova Classica Marinha Mercante Brasileira Prova Classica Comandante Midosi.
Aos dois novos eméritos, que vêm honrar nossa galeria de campeões - - Margarida Tereza Nunes Leite e Samuel Scheinberg felicitamos calorosamente pelo justo galardão alcançado, fazendo votos sinceros para novas grandes vitorias em prol do imortal pavilhão alvi-negro.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 73 de outubro de 1948
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Retrospecto das ultimas regatas
Nossa gloriosa secção de remo, apezar das dificuldades que vem encontrando no treinamento de suas guarnições, em virtude das obras de aterro da praia do Bofafogo, vem se exercitando ativamente para a campanha do campeonato, tendo obtido um inestimavel auxilio com o ingresso, em suas fileiras, do extraordinário sculler paulista Nono Valente.
Embora não correspondessem ao que desejamos, em virtude elos motivos expostos, nem por isso deixam de merecer registro as marcas que obtivemos nas regatas de 27 de junho, no Saco de São Francisco e nas de 13 de agosto, na enseada do Botafogo.
Assim, na primeira das já mencionadas, obtivemos um primeiro lugar, na prova de gigs a quatro, de novissimos e tres segundos lugares, sendo um na prova de yoles a oito, campeonato de principiantes; um na prova "Gustavo Merker” e um na de skiff liso de seniors.
Na regata de 13 de agosto, alcançamos um belíssimo primeiro lugar, na prova classica "Comandante Irineu Ramos Gomes", de yoles a oito, estreantes; quatro, segundos lugares e tres terceiros lugares.
Estava assim constituiria nossa valorosa Guarnição: Patrão: Raul Soares, remadores: Jutahy Magalhães, Manuel T. ele Oliveira, Alberto Sant'Ana, Roberto Braga, Claudio Bastos, José Vaitz, Eduardo Melo e João Moira de Castro.
"Carlito Rocha ministrando Ginástica
Embora não tendei sido notado pela gente do Botafogo, vem JORNAL DOS SPORTS acompanhando em todos os detalhes o intenso treinamento imposto aos seus remadores que se prepararam ativamente para as proximas regatas, sob a assistencia direta de Carlito Rocha, que todos os dias comparece a garage do Piraquê, na Lagoa Rodrigues de Freitas, onde se acham alojados os barcos da flotilha alvi-negra.
Treinamento individual para os Remadores
Assim, o reporter surpreendeu ontem Carlito Rocha, que se fazia acompanhar do seu Estado Maior, composto de Nova Monteiro, Sergio Darci e Tasso Moreira, a ministrar ele proprio, uma aula de ginástica aos remadores. Como até hoje tais métodos não foram praticados em nosso clube, cujos remadores apenas treinam nos barcos, o singular sistema de Carlito Rocha irá por certo despertar grande curiosidade nos meios náuticos. Trata-se contudo, conforme apurou JORNAL DOS SPORTS, de ginástica especialisada para a canoagem, com a qual pretende o dinâmico presidente alvi-negro obter maior rendimento dos seus atletas, o que bem evidencia o carinho que Carlito dedica a todas as atividades do seu clube". (Do "Jornal dos Sports").
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 73 de outubro de 1948
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A regata do pré-campeonato
Com grande sucesso realizou-se na manhã do domingo 26 de setembro, na Lagoa Rodrigo de Freitas, a regata pré-campeonato que teve como vencedor o valoroso C. R. Vasco da Gama colocando-se o Botafogo, no computo geral, em terceiro lugar, com dois primeiros, um segundo e dois terceiros.
Circunstancias varias obstaram que o Botafogo colhesse melhores resultados, mas pôde se observar grande melhoria em nossas guarnições que estão treinando ativamente para a próxima regata do campeonato.
Os nossos primeiros lugares foram alcançados nas seguintes provas:
4º páreo - Outriggrs a oito remos, de juniores.Patrão: Gilberto Azevedo. Remadores: Kleber Malinverno, Ercio Perocco, Claude Courbert, Laim Carvalho Newton Melo e Silva, Paulo Martins, Manuel Couto e Gustavo Costa.
12º páreo - Outriggers a dois remos, sem patrão: Remadores: Samuel Scheimberg e Tomaz Borges de Magalhães.
Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 74 de novembro de 1948
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A REGATA DO CAMPEONATO
Duas vitorias sensacionais dos nossos remadores
Grande expectativa cercava o desempenho do nossa equipe de remo, disputado em 7 de Novembro de 1948.
Não obstante não ter sido muito eficiente o desempenho dos nossos conjuntos nas regatas anteriores — fenomeno devido à impossibilidade da prática do remo, na praia de Botafogo, devido às obras do aterro — sabiam os botafoguenses que a nossa turma do remo estava se submetendo a um preparo eficiente para o prelo maximo, preparo a que não faltou a assistência direto do nosso Presidente, que todas as madrugadas, sob bom tempo ou sob a chuva e a vento, prestigiou com a sua presença a direção técnica de remo colaborando decisivamente no preparo individual dos remadores.
A propria imprensa carioca, nos seus comentários prévios ao certamen, reconhecendo o favoritismo do Vasco da Gama, apontava o nosso Club como o mais serio rival dos cruzmaItinos. A preparação para o campeonato entretanto não decorreu sem contratempos; ao contrário eles surgiram e de aspecto quasi incontornavel, desafiando a extraordinária boa vontade de dirigentes, técnico e atletas.
Circunstâncias várias privaram o Botafogo de muitos dos seus bons remadores: era o Claude em provas na Escola de Agronomia no quilometro 47 da Rio-São Paulo; era o Julio entregue aos seus afazeres técnicos na Fábrica Nacional de Motores, era o Eliezer enfermo, impossibilitado de ensaiar, o Moacyr com horário impraticavel na Escola de Aeronáutica, todos estes contratempos concorrendo para que a nossa equipe fôsse escalada de forma concentrada, isto é, varias remadores submetidos à contingência da "dobra", desaconselhavel em campeonato tão duro.
O proprio local em que nos alojamos, graças à gentileza do C. R. Piraquê, obrigava aos nossos rapazes a longas e desconfortáveis caminhadas carregando os barcos, o que tira o humor e cansa o organismo. Só quinze dias antes, pudemos ocupar o nosso local náutica do Lagôa o antigo bar do Sacopan, que arrendamos após concorrência pública a nós adjudicada pela bôa vontade do Snr. Prefeito General Mendes de Moraes, verdadeiro arraigo dos desportes.
Mas estava escrito que haveríamos de lutar com a adversidade e assim é que dois dias antes do campeonato Samuel Scheinberg um dos nossos mais destacados amadores, voga do 2 sem patrão e contra-vóga do 8 surgiu presa de rubeola e Thomaz Magalhes, seu proa no 2 sem e contra proa do "8" apresentou-se com violenta furunculose o que condicionou a substituição de ambos no "8", feita no dia da regata, já que correram o "2 sem" muito aquem das suas reais possibilidades, numa demonstração de grande fibra e e amor às côres que defendem.
Entretanto aí não pararam as circunstâncias adversas: ao dirigir-se para o ponto de saída, Nuno Valente, o nosso consagrado campeão brasileiro, teve o seu skiff danificado pela marola de uma lancha, o que diminuiu de forma absoluta as suas possibilidades. Com todos estes contratempos e apezar deles, o desempenho da nossa rapaziada foi brilhantissimo. Conquistamos dois primeiros lugares, igual ao Vasco que foi o Campeão e fizemos onze campeões cariocas, enquanto os cruzmaltinos apenas conseguiram fazer quatro campeões individuais.
As nossas vitórias verificaram-se no "double-skiff" e no "oito", os dois pareos finais da regata sendo que o "oito" foi o grande "show" da regata.
Foram duas vitórias nítidas, indiscutíveis e conseguidas com alta categoria técnica! O "double" tripulado por Francisco Silva e Nuno Valente, venceu de ponta a ponta, numa brilhante demonstração, obtendo uma vitória esplendida, no magnífico tempo de 7'05".
O "oito", com duas substituições feitas no dia, só esteve atráz nos primeiros 100 metros do percurso; não tendo picado bem, correu 100 metros bico de proa atrás dos vascaínos. Nos 500 metros já tinha cerca de um metro de vantagem, que se dilatou para castelo de proa nos 1000 metros, que foram passados no tempo excepcional e poucas vezes conseguido de 3'02". Nessa altura decidiu-se o pareo: quando todos esperavam um natural decrescimo dos botafoguenses, estes dilataram a vantagem para 1 barco de luz que se manteve até a méta. Os nossos adversários esgotaram-se na rude tarefa de acompanhar os violentos 1000 metros iniciais, corridos pela nossa guarnição sem maior esforço, à base de uma exibição de técnica verdadeiramente impressionante. Era um verdadeiro espetáculo de harmonia a nossa guarnição! A constituição do SCORPION era a seguinte: patrão: Gilberto Hue de Azevedo; voga: Clober Malinverno; sota-vóga: Ercio Perocco; contra-vóga: Ronald Theodor van Rybrok, 1º centro: Emilio Morand; 2º centro: Brando; contra-prôa: Honorio De Lucca Camargo; sota-prôa: Jenilio Queirós e prôa: Gustavo Alves da Costa.
O terço obtido foi de 6’14” um dos melhores já obtidos na Lagôa. A vitória do "oito" do Botafogo sugere comentários que realçam a competência indiscutivel do nosso treinador Rudolf Keller, autoridade incontestavel na matéria.
1) A substituição de dois elementos no dia do regata não prejudicou a eficiência da guarnição. Isto prova que no Botafogo há urna verdadeira escola de remo, onde todos os atletas são instruidos num estilo eficiente e definido, podendo um ou mais homens ser substituídos sem prejuizo para o todo, visto que o substituto se desempenha de forma identica ao substituido.
2) O nosso "oito", mais novo e mais leve remou 32 remadas por minuto em todo a percurso; a guarnição vascaina, muito mais experimentada, mais forte, e mais assidua no treinamento, remou a 34 e 36 remadas por minuto. Isto prova a eficiência da remada Keller, que rendeu extraordinariamente nos rudes 2000 metros do Campeonato.
3) Na contra-vóga do nosso "oito" correu um remador estreante em 1948 — o contra vôga Ronald Theodor van Rybroek, que ia à raia pela 4ª vez, tendo estreado em Abril de 1948. Trata-se, não há duvida, de um rapaz de qualidades excepcionais paro o remo, mas só verdadeiro treinador pode transformar, em seis meses, um estreante em um campeão, num oito que faz 3,02" em mil metros e 6'14" em 2000.
O oito valeu, sem dúvida, pelo Campeonato; vimos a nossa mais legitima prata da casa conquistar o título maximo, com grande brilhantismo.
Vimos Gustavo - exemplar atléta, padrão de dedicação, laurear-se campeão carioca; virroz Max Brando a quem a fortuna não bafejou em 1947 vencer o campeonato; vimos Max Brando, baluarte de tantas guarnições, cheio de satisfação ostentar o galardão máximo; o Honorio ainda mero principiante, levar de vencida os fortes adversárias muito mais experientes; vimos Jenilio campeão — título que por acidente lhe fugiu em 1943; e finalmente os dois vógas Clober e Ercio, excelentes comandantes, precisos como o mais apurado relogio suisso, marcarem uma cadência perfeita.
Rybroek que durante o ano, fôra uma grandiosa esperança é hoje um legitimo campeão. De estreante a campeão em 6 meses! Já é ser rápido... tão rápido quanto o Scorpion em 7 de Novembro de 1948!
O oito teve impecável patronagem de Gilberto Hue de Azevedo. Calmo, preciso, seguiu à risca as instruções de Keller e o resultado foi o que se viu... Si quizessemos adjetivar com precisão o que foi a vitória do nosso oito, podemos escrever em tipos maiusculos: Devastadora... Não podemos entretanto deixar sem comentários os restantes conjuntos que tanto lutaram pela vitória final.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 75 de dezembro de 1948
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Uma grande vitória na Regata inaugural
Botafogo - campeão de estreantes
É verdade que a nossa Secção de Remo andou abaixo das suas reais possibilidades na regata inaugural da temporada que foi disputada em Botafogo no ultimo domingo de abril.
Muitos fatores concorreram para essa figura relativamente apagada e, como assunto interno do Botafogo, resta-nos afirmar que medidas foram tomadas para que na segunda regata apresentemo-nos melhor preparados.
Mas, em compensação obtivemos uma grande vitória, que encheu de júbilo os adeptos da "estrêla solitária".
Foi essa a vitória conquistada pelo nosso juvenil "oito" de estreantes no Campeonato de Classe, prova básica do programa da regata. Sempre cuidamos com especial carinho dos nossos jovens estreantes e tanto é assim que em 1948 vencemos os dois “oito” de Estreantes disputados durante a temporada, num total de 16 estreantes vencedores. Dêsses, um dêles - Ronaldo van Rybroek - veio a conquistar — fato inédito, no fim do ano, o Campeonato Carioca, integrando o nosso possante "oito" campeão.
É pois com imenso júbilo que constatamos a vitória da "Procyon" no Campeonato de Estreantes, o que se verificou da seguinte forma:
À saída, em face de ligeira indecisão dos nossos tomou a ponta a guarnição do S. Cristovão. Refeita da indecisão inicial tão comum nos estreantes, os nossos deram caça à guarnição rosea e tenazmente perseguiu-a emparelhando à altura dos 500 metros. Após uma luta que se prolongou por cêrca de 250 metros o nosso conjunto quebrou a resistência dos adversários e sacou 1 barco e alguma luz diferença com que, absolutamente inteira cruzou a linha final.
Foi uma linda vitória e notável pelo estilo exibido pelos nossos jovens defensores que foi impecável. O nosso oito campeão foi mais uma vez patroado pelo antigo defensor Raul Gonçalves Soares, e estava assim constituido: Voga: Ruy Santos Filho. Sota-voga: Julio Jacob Souza Mendes. Contra-voga: Affonso Eduardo Castilho Burle de Figueredo. 1º Centro: Guillermo Hellmers Weiler. 2º Centro: Alberto Schneider. Contra prôa: Carlos Augusto Vianna de Albuquerque. Sota prôa: Affonso Gonçalves de Albuquerque. Prôa: Gilberto Rosman.
O tempo empregado foi de 3'31" muito bom para a classe.
Cumpre notar com alegria que no oito campeão de estreantes, debutou, na defesa do Botafogo, mais uma geração da família Dutra, representada por Affonso Eduardo Castilho Burle de Figueiredo, sobrinho de Alkindar e Tété, sobrinho-neto de Clovis Dutra, filho do distinto médico Dr. Burle de Figueredo. Aos jovens componentes da guarnição da Procyon e ao seu técnico, o Botafogo felicita efusivamente e faz votos que êste triunfo seja o início de oito gloriosas carreiras de remadores botafoguenses.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 81 de junho de 1949
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Prova Clássica Riachuelo
Na manhã do domingo, 12 de junho, foi realizada, no percurso do Forte de São João à enseada da Glória, a prova clássica Riachuelo, a que concorreram Flamengo, Botafogo (com dois barcos), Natação e Vasco da Gama. Após uma luta intensissima, triunfou o Flamengo, chegando em segundo e terceiro lugares respectivamente, nossas guarnições, assim constituídas: — 2º "Procyon" — Patrão : Raul Gonçalves, Soares - Remadores: Ronald Theodor van Rybroek, José Pedroso da Libeira, Sviastolav Goretkin, Honorio de Luca Camargo, Eugênio Morand, Alberto Bowadjan e Manuel Tavares de Oliveira – 3º "Aldebaran" -- Patrão: Gilberto Hue de Azevedo - Remadores: Ruy Santos Filho, Julio Jacob de Souza Mendes, Luiz Roberto Veiga de Brito, Guillermo Hellemers Weiler, Claudio Veiga de Brito, Afonso Gonçalves de Albuquerque, Carlos Augusto Vianna de Albuquerque e Alberto Cumplido Santana.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 82 de julho de 1949
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Terceira regata oficial
Na terceira regata oficial, organizada pelo C.R. Guanabara e efetuada na manhã de 3 de julho, o Botafogo colocou-se em quarto lugar, com um primeiro; dois segundos e três terceiros lugares. Nosso primeiro lugar foi obtido no 1º pareo ---- Prova Clássica Indenizadora novíssimos — yoles franches a oito remos, vencida por "Procyon", com Raul Gonçalves (patrão), e Ruy Santos Filho, Julio Jacob Mendes, Ronald van Rybrock, Honorio Camargo, Sviastolov Goretkin, José Pedroso, Luiz Brito e Guilhermo Hellemers, remadores.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 83 de agosto de 1949
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Terceira regata oficial
Na terceira regata oficial, efetuada 28 de agosto, no Saco de São Francisco, o Botafogo venceu brilhantemente a prova clássica "Gustavo Merker", sendo êste o resultado da mesma:
12º PÁREO - Prova Clássica "Gustavo Merker" Novíssimos - ioles franches a oito remos – 1º Botafogo - "Procyon" - Patrão: Alberto Manes. Remadores: Ruy Santos Filho, Julio Jacob Souza Mendes, José Augusto Proença Gomes, Honorio De Lucas Camargo, Paulo Egydio Martins, José Pedroso da Silveira, Afonso Gonçalves Albuquerque, Guilherme Gustavo Hellmers Weiler; 2º Vasco e 3º Guanabara.
CONTAGEM DE VITÓRIAS
Com o resultado das provas a colocação dos concorrentes é a seguinte: 1º Vasco, 5 vitórias, 4 segundos e 2 terceiros; 2º Icaraí, 2 vitórias e 2 segundos; 3º São Cristovão, 2 vitórias e 2 terceiros; 4º Gragoatá, 1 vitória, 1 segundo e 2 terceiros; 5º Botafogo, 1 vitória, 1 segundo e 1 terceiro; 6º Flamengo, 1 vitória e 1 segundo; 7º Lage, 1 segundo e 1 terceiro; 8º Natação e Piraquê, 1 segundo; 9º Internacional e Guanabara, 1 terceiro.
Acervo particular Alceu Oliveira Castro
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 85 de outubro de 1949
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O CAMPEONATO CARIOCA
Heroica e brilhante atuação dos nossos remadores
Realizou-se a 20 de novembro na Lagôa Rodrigo de Freitas a Regata dos Campeonatos Cariocas de Remo. O Botafogo cuja ascenção no remo metropolitano é um fato já incontestavel, preparou-se para este certamen com o maior carinho, dentro do programa traçado pela administração do Club de incentivar ao maximo o nobre desporto do remo.
Maior alento trouxe aos nossos bravos remadores a chegada da Inglaterra da flotilha encomendada que veio proporcionar ao nosso Club a posse da melhor flotilha de corrida, existente no Brasil atualmente.
Todos os recursos técnicos foram lançados à conquista do almejado titulo de Campeão Carioca de Remo de 1949 e si não conseguimos atingir o nosso objetivo com a conquista do título maximo causou grande sensação a todos os que concorreram a Lagôa na manhã brumosa do dia 20 a figura brilhante dos remadores botafoguenses que travaram com os seus eventuais vencedores duélos eletrizantes, igualando vencidos e vencedores igual numero de primeiros lugares conquistados, decidindo-se o certamen pela contagem de pontos adjudicada às colocações secundárias. O Botafogo perdeu o Campeonato de Remo com a derrota do seu "oito" constituido na sua maioria de remadores novíssimos mas que obrigou o seu vencedor, experimentadissimo conjunto a marcar o tempo de 6'11", verdadeiramente excepcional para cruzar a méta na van-uarda, depois de urna corrida sensacionalissima, que permanecerá eternamente na lembrança dos aficionados do remo.
Não obstante, venceu o nosso Club com grande brilhantismo, tres pareos do programa: o Skiff que consagra o melhor remador individual, o Double Skiff e o Quatro com patrão. A grande figura da nossa equipe foi incontestavelmente o nosso grande campeão Nuno Alexandre Valente, vencedor do Single e do Double ,este ultimo em companhia de Francisco Silva. Valente após atuações deficientes causadas pela impossibilidade de se submeter a preparo adequado e por falta de barco conveniente, voltou a apresentar-se na plenitude da sua fórma técnica e física, e tripulando o novo skiff inglês retem-chegado derrotou contundentemente os seus vencedores de outrora, obtendo uma vitoria espetacular.
A sua atuação foi extraordinária e não se sabia, vendo-o remar, o que era mais de admirar: si o seu impecavel estilo técnico ou o desusado vigór com que se empregava.
No double, com Francisco Silva voltou a formar a invencivel guarnição de 1948, repetindo ó feito do ano passado obteve o nosso double espetacular resultado cumprindo o percurso de 2.000 metros em menos de 7 minutos, precisamente 6'59" resultado impar nas raias da America do Sul.
Chico e Valente constituem uma solida garantia para as côres brasileiras no proximo Campeonato Sul-Americano de Remo.
A terceira vitoria conquistamo-la no pareo inicial da regata — o quatro com patrão com Antenor Songhetti Gomes, José Serbeito da Silva Muniz, Jorge Guilherme Marcel e Guilhermo Gustavo Heimers Weiler, patroados por Gilberto Hoe de Azevedo o caro "Papetti".
Foi a vitoria conquistada com supe-ioridade absoluta evidenciando o nosso poderoso "quatro" excelentes condições de preparo. Este pareo merece um registro: nele tornou-se campeão um "Estreante" de 1949 — o nosso simpático "Paraguayo" como é chamado Guillermo Weiler, o "meninão" do Sacopan. Estreando este ano na regata inaugural, Paraguayo continuou vencendo durante todo o ano, sagrando-se finalmente Campeão Carioca. Reeditou deste modo a proeza de Ronald van Rybroek em 1948. Disputaram ainda a regata: no dois sem patrão — Samuel Scheinberg e Thomaz Pompeu Borges de Magalhães; no 2 com: José Serbeito Muniz e Jorge Guilherme Marcel; no quatro sem: Samuel Scheinberg, Moacyr de Almeida, Jenilio Gueiros e Thomaz Magalhães; no "oito" formaram: Gilberto Hue de Azevedo, na patroagem; Ronald van Rybrock, Ercio Perocco, Sviatoslav Gortpin, José Carlos Palacios Kruel, Luiz Roberto Veiga de Brito, Honorio De Lucca Camargo, Paulo Egidio Martins e Gustavo Alves da Costa.
Muita celeuma despertou a derrota eventual do oito botafoguense; é raro, sem duvida, ser derrotado um oito do Botafogo.
Mas devemos por ser de justiça reconhecer e proclamar que os nossos rapazes brilharam embora perdendo.
Perderam para um adversário muito mais experimentado obrigando-o a um tempo de exceção.
Sentiram os nossos novíssimos, e isso é fora de duvida a enorme responsabilidade que os assistia cedendo à experiência e cancha do adversaria.
Desnecessario é dizer das esperanças que continuamos a ter nestes oito heroico rapazes que mais habituados aos cotejos de transcendental importancia reservam ao Botafogo no futuro, as maiores satisfações!
Acervo particular Alceu de Oliveira Castro Jungsted
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 87 de dezembro de 1949
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